Dia 21 de Janeiro, dia de presidenciais e noite de terror para esquerda tradicional e para a esquerda progressista. A ala esquerda portuguesa levou uma sova das antigas que fez atordoar tudo e todos, mesmo os mais negativistas. Noite de grandes perdedores e de alguns vencedores. Marcelo e a abstenção ganharam mais uma vez.

João Ferreira e Marisa Matias fizeram campanhas humanizadas e sérias, longe de polémicas circenses que parecem ser a receita perfeita para caçar votos.

Quem vai defender o SNS e a escola pública? Quem vai proteger os direitos do trabalhador? Quem vai avançar com mais políticas ambientais? Quem defendeu concretamente o nosso futuro?

André Ventura foi das personagens mais polémicas destas eleições, proferindo comentários perigosos, que incitam ao ódio. Ventura foi o verdadeiro mestre do populismo, tirou partido dos debates televisivos para destronar violentamente os seus adversários como se estivesse num ringue de boxe. Ele nunca se mostrou interessado e nem esteve à vontade de debater temas estruturantes, tais como: a educação e a saúde, em vez disso, durante a campanha toda andou sempre a espumar-se como um Pittbull.

Ao analisar as últimas eleições, quer legislativas, autárquicas e presidenciais, podemos considerar que grande parte dos votos estão condicionados a modas. Quem se lembra do fenómeno PAN há uns anos atrás? Agora temos o perigoso fenómeno do CHEGA, vamos ver qual vai ser a próxima moda política.

 

Nelson Maia, janeiro 2021

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