Rotundas e outras obras

Estamos em ano de eleições autárquicas. O país está num intenso frenesim de obras públicas. Mesmo em ambiente de pandemia, o trabalho não pára. Para o comum dos mortais e atentas as regras gerais impostas, de limitação dos comportamentos individuais, é difícil entender e/ou mesmo adivinhar quais são as aplicáveis ao sector. De obras públicas e da construção civil em geral. Mas adiante.

Tem sido estudada a relação entre os ciclos eleitorais e as obras públicas. Há evidências reveladoras de que, de facto, em anos de eleições, nos nossos territórios, são inúmeros e bem visíveis os trabalhos de finalização e conclusão das obras. Antes disso assistimos a várias e inexplicáveis interrupções. Que mesmo havendo um esforço de justificação não são mais de que verdadeiras paragens estratégicas.

Esses estudos também mostram que nos dois anos anteriores ao das eleições autárquicas, os orçamentos municipais são verdadeiros exercícios de lançamento de fogo de artifício. Assim o obriga a preparação antecipada das sessões de propaganda a coincidir com o estrelato – a inauguração das obras. As fitas coloridas e as tesouras têm nesta altura uma forte utilização. Bem como outros atos pomposos que a plebe aprecia e adere. E as hipóteses do aumento dos votos a acontecer nas urnas.

 

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Os procedimentos e prazos relacionados com o lançamento dos concursos públicos obrigam a uma antecipação bem calculada do momento ideal para que a conclusão das obras coincida com o auge das campanhas eleitorais. Em geral, há um forte calculismo na arte de fazer e desenvolver estes processos.

Seria interessante que houvesse – já haverá? - um estudo pormenorizado sobre a sequência temporal dos vários passos que culminam com a conclusão das obras públicas, principalmente aquelas que têm um forte impacto nas vidas das pessoas e/ou com evidente notoriedade paisagística, ambiental e outros (por exemplo, um mercado municipal, um tanatório, etc.). Os momentos a fixar seriam as datas sequencias do orçamento, lançamento do concurso, decisão de escolha, lançamento de obra e sua conclusão.

Será que tem de ser sempre assim? O bem-estar das populações suporta mesmo esta forma de fazer política e realizar obra pública? Será que a nossa decisão de escolha, no momento de votar, é influenciado por todo aquele cenário?

Mesmo com todas as dúvidas todas votemos. Pois como canta o Sérgio Godinho “A Democracia é o pior de todos os sistemas com exceção de todos os outros”.

 

Cristóvão Sá-πmenta

 

Imagem: BING (disponível em 31/03/2021 08:49)

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