Trabalho

 

No dia de saída desta peça estaremos a aproveitar um feriado, ganho em Portugal só depois de 25 de Abril de 1974. Vivas ao 25 de Abril e ao Primeiro de Maio.

 

As celebrações desta data têm a sua origem nos acontecimentos em Chicago, em 1886. Milhares de trabalhadores saíram às ruas exigindo direitos laborais. Reclamavam “Oito horas de trabalho, oito horas de lazer, e oito horas de descanso”. A repressão policial exercida sobre a multidão provocou a trágica morte de vários ativistas. As exigências de direitos e dignidade tiveram como resposta o fogo de armas assassinas. Mas da tragédia ficam sementes e anos mais tarde tinham sido ganhos direitos e dignidade para maioria da classe trabalhadora. Passados 135 anos sobre aquela data, ainda hoje há no Mundo situações de trabalho escravo, vil exploração de mão de obra e repressão violenta sobre quem luta por melhores condições.

 

Imagem Bing

 

Alimentou-se a utopia de que o nível de desenvolvimento económico e a revolução tecnológica culminariam com a redução das horas de trabalho e o aumento do tempo durante a qual o Homem fruiria de atividades que aprofundem o seu bem-estar. Infelizmente não é esta a realidade nem para lá caminhamos. É claro que há evidências de redução de horas de trabalho semanal. Porém muitas das vezes o tempo ganho é aplicado em tarefas que consomem muitos recursos. Físicos e mentais. E, muitas vezes, perante salários baixos há que encontrar forma de obter mais rendimento para suportar o custo de vida e assim se frustra o bem-estar desejado.

Comemorar em 2021 o Primeiro de Maio obriga-nos a refletir quais as relações de trabalho que se estabelecem entre quem detém o capital e os meios de produção e os que só se podem fazer valer pela sua força de trabalho e competências técnicas e científicas.

A tão apregoada e abençoada globalização aprofundou a exploração do trabalho. Poderá ser estranho hoje falarmos de luta de classes. Mas o que é verdade há um forte conflito entre interesses antagónicos. A ideia e consequentes realizações do estado social têm sido postos em causa, porque de facto, o capitalismo financeiro tem vindo a solidificar a sua influência em todo o Mundo.

Hoje em dia, em muitos países, o teletrabalho tem tido um aproveitamento exacerbado das classes dominantes. Na atual situação, legitimado pelas opções assumidas de resposta à crise pandémica. Aquele é um claro exemplo de desregulação das relações laborais. A isso, juntemos a Uberização, a multiplicação da precaridade dos contratos de trabalho, a proliferação das empresas de trabalho temporário a vender força de trabalho à hora.

Voltaremos ao tema do Trabalho e as suas relações com a Saúde e a Sustentabilidade da Segurança Social

 

 

Cristóvão Sá-πmenta

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