“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” disse Costa a um auditório europeísta. A frase não é dele, é de Camões, e ilustra bem que as grandes instituições edificadas pelos maus puros princípios, podem também cair nas armadilhas dos tempos e das vontades de alguns.

A verdade é que a União Europeia não serve todos os europeus como deveria. Os países mais ricos subjugam os mais enfraquecidos. A Europa continua desigual, uns beneficiam mais do que outros. O sonho de uma Europa solidária que surgiu no pós-guerra ainda é uma miragem. Eu sonho com uma União Europeia que ainda não se ergueu.

Portugal lucrou com os seus donativos desmedidos, foi benéfico para nós, mas foi sol de pouca dura. O espaço “Schengen” e o Euro foram projetos positivos. Nem tudo foi mau ou foi?

Jerónimo de Sousa quando esteve no Porto, aproveitou o tema para criticar não só a União Europeia, como também, a posição de Portugal na própria EU. Acusou a EU por falta de respostas e Portugal por um enorme seguidismo. Por quando tempo estas acusações vão permanecendo atuais?

Fora do azedume discursivo de Jerónimo de Sousa, está Ferro Rodrigues que homenageou a Cruz Vermelha com 7 valorosos princípios: humanidade, imparcialidade, neutralidade, independência, voluntariado, unidade e universalidade. Valores que a União Europeia deveria seguir escrupulosamente desde dos seus inícios.

 

Nelson Maia, Maio 2021

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