Na maior parte das vezes, as minhas palavras falam dos eventos que decorreram ou que vão decorrer na cidade de Lordelo, que é um local onde o meu coração olha para o céu e dá suspiros satisfeitos. Porém, de vez em quando, também falo da organização do urbanismo.

Desta vez, esse tema salta-me para os dedos porque, no dia 1 de Julho, foi inaugurada a Requalificação do Cruzamento do Mercado.

Antes das obras, havia um cruzamento despenteado, um amontoado guias espalhadas no asfalto. E as minhas palavras já tinham sapateado esse imbróglio. Depois das obras, tudo mudou. Por isso, o Cruzamento do Mercado é agora uma linha torneada, uma marginal ao pé do mar.

Então, há que dar mérito a quem pensou, a quem desenhou um espaço a roçar na perfeição.

Por fim, despeço-me. Não é um adeus, nem é uma lágrima que está presa na saudade, é uma forma de vos dizer que, até Setembro, a minha cabeça estará refastelada numa praia.

Ao fim da tarde, num dia de chuva, a notícia caiu-me nos ouvidos. A notícia era triste, inesperada, mesmo sabendo que a doença estava lá, a roer aquele corpo, aqueles ossos, aquela mente tão eloquente. E, como é óbvio, ela retirou-me da rotina.

            Os foguetes arrebentam com o silêncio que brincava com as estrelas, com a lua, com as costas do monte. E as cores que saltam para cima das casas, que surgiram quando a pólvora deu asas à magia, pintam as caras dos incautos da cor dos sorrisos. No auge dessa alegria, desse mar de pétalas, há uma voz que grita. Há uma voz que afoga a histeria que se apoderou da aldeia, e da periferia mais recôndita, num dedo que grita, “Aproveitem o momento para programarem o próximo momento”, junto do palco, que alberga uma tonelada de máquinas que fabricam brinquedos para os ouvidos, está uma carcaça sem dentes, está a tristeza do corpo vestida com roupa que custou uma noite de insónia. Está uma boca que sobe até ao topo da lua para aplaudir o grito da sapiência. E eu, do outro lado da praça, aproveito a oportunidade para acrescentar, usando o truque da trovoada, que o princípio da frase é uma cereja que devemos mastigar ao longo da nossa vida.

O Rebordosa Atlético Clube recebeu no passado domingo o Aliados Futebol Clube Lordelo, no Estádio Monte de Azevido, em Rebordosa, em jogo a contar para a 29ª jornada do campeonato da Associação de Futebol do Porto Divisão Elite-Pro-Nacional Série 2.

A árvore, enfeitada com luzes de várias cores, com bolas de vários tamanhos, olha para a lareira que mastiga um toro de madeira. Perto dela estão as minhas mãos, que retiram do envelope uma folha de papel. No meio do rectângulo encontro um pedido, “Coloca o teu coração ao pé do bacalhau”, esse pedido obriga-me a ter lágrimas nos cantos dos olhos e mostra-me que a mesa é um lugar onde as palavras acariciam a família. Mas, por detrás da frase, há um pedido oculto, “Faz das refeições um lugar verdadeiro”, por causa disso, vou à varanda. Então, vejo os telhados das casas e, nas janelas mais próximas, descubro que nem todos tocam na riqueza do garfo. Por isso peço-vos que sejam sempre o que, provavelmente, nunca foram.