No início, um grupo de amigos, preocupados com a divulgação da cultura e da tradição da nossa terra, trouxe para o mundo dos vivos “Os Expansivos”, que era e é uma associação de carácter cultural e recreativa.  

No meu quarto, junto à cama, tenho duas mesas-de-cabeceira e, em cima delas, tenho livros e candeeiros. Na minha sala, tenho um sofá, uma televisão e uma mesa, que, aos fins-de-semana, aproveito para pousar os pratos, os copos e os talheres.

De um momento para o outro, caiu uma bomba. Não uma bomba que destruiu prédios e estradas, parques e rios, e, por arrasto, uma bomba que destruiu tímpanos e envenenou o ar, mas uma bomba silêncio, que, aos saltos, entrou em vários corpos. E que portanto, permitiu ao medo esburacar o sossego da nossa cidade.

Ontem, depois do jantar, estive a mexer no fundo das gavetas, porque, de um momento para o outro, a saudade invadiu o meu pensamento. Por isso encontrei esta foto, que, para mim, é uma relíquia.

A noite caiu. Nas ruas, os candeeiros iluminam os passos dos transeuntes, que, ao contrário do que era suposto, andam quase abraçados.

Na maior parte das vezes, as minhas palavras falam dos eventos que decorreram ou que vão decorrer na cidade de Lordelo, que é um local onde o meu coração olha para o céu e dá suspiros satisfeitos. Porém, de vez em quando, também falo da organização do urbanismo.

Desta vez, esse tema salta-me para os dedos porque, no dia 1 de Julho, foi inaugurada a Requalificação do Cruzamento do Mercado.

Antes das obras, havia um cruzamento despenteado, um amontoado guias espalhadas no asfalto. E as minhas palavras já tinham sapateado esse imbróglio. Depois das obras, tudo mudou. Por isso, o Cruzamento do Mercado é agora uma linha torneada, uma marginal ao pé do mar.

Então, há que dar mérito a quem pensou, a quem desenhou um espaço a roçar na perfeição.

Por fim, despeço-me. Não é um adeus, nem é uma lágrima que está presa na saudade, é uma forma de vos dizer que, até Setembro, a minha cabeça estará refastelada numa praia.