A noite caiu. Nas ruas, os candeeiros iluminam os passos dos transeuntes, que, ao contrário do que era suposto, andam quase abraçados.

De súbito, ouço uma voz, “Esquecemo-nos das máscaras”, mas há metralhadoras que a assassinam. Fico estupefacto, com silvas no pensamento, e digo-lhes que o vírus anda na rua. A mais destemida, com o dedo em riste, vira-se para mim e atira-me uma pedra, “Oh caro amigo, vai dar uma volta ao bilhar grande”, coloco-a no esquecimento e insisto no pretérito, “O vírus é uma ameaça. É preciso ter cuidado”, então, só ouço a voz do silêncio.

Dentro da sala, sento-me e olho para a televisão, que tem uma jornalista a dizer que “os portugueses são pessoas responsáveis e que cumprem com as regras impostas pela Direcção-Geral da Saúde”, dou um sorriso e, quando o sino da igreja produz uma melodia, coloco a mão na testa. 

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