Não deixa de ser irónico e muito preocupante o que está a acontecer no Rio Ferreira nos últimos meses. As descargas provocadas pela ETAR de Arreigada estão a matar a fauna e a provocar um verdadeiro atentado à saúde pública. Tudo isto a acontecer às claras e com a maior das tranquilidades por quem tem responsabilidades políticas. Justificar o atentado com as obras de requalificação na estação de tratamentos, ou dizer que as entidades competentes estão atentas ao problema, é o mesmo que passar um atestado de burrice à população que divide o leito do Rio Ferreira, em Arreigada e, principalmente, em Lordelo, estas pessoas são as principais vítimas dos cheiros nauseabundos que se sentem e a visão perturbadora de dejetos a submergirem nas águas.

Mas foi irónico ver recentemente as fotografias de uma visita à ETAR feita por responsáveis autárquicos de Paços de Ferreira e Paredes. Demonstraram uma tranquilidade demasiado apática para a realidade do problema. E, para além disso, não existe uma coerência no discurso dos responsáveis pacenses, nomeadamente, o presidente da câmara e o vereador do Ambiente, num ano em que este deveria preservar ainda mais o pelouro que alberga, para fazer jus ao Ano Municipal do Ambiente. Não chega mostrar-se para as fotografias. Deve mostrar-se e ser-se para as pessoas. E aqui existe um esquecimento e uma indiferença demasiado penosa.

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