Estava curioso para ver as contas do Município de Paredes, que mais uma vez apresenta a redução do passivo de 15 milhões de como o resultado das proezas de uma gestão autárquica estratosférica!

A mensagem fica no ouvido: baixou o passivo 15 milhões, facilmente passa para as contas melhoraram, passando a lucros que permitiram diminuir a dívida em 15 milhões, melhor situação económica e financeira, e muitas outras conclusões que de forma mais ou menos intencional se querem retirar…

Perante esta campanha que parece pretender criar uma realidade paralela, só me ocorre aquele conselho que se dá às crianças quando mascam as primeiras chicletes ou pastilhas elásticas, conforme preferirem: mastiga, mas… não engulas!

É que o doce e perfumado sabor da pastilha elástica é efémero e rapidamente se transforma num resíduo poluente, difícil de limpar e que no caso de ser engolido pode causar problemas no nosso organismo.

Sem desprezar a importância de ter um passivo controlado e uma dívida devidamente estruturada, importa saber afinal quanto custou esta redução do Passivo de mais de 15 milhões em dois anos?

Se querem por a questão nesses termos, custou mais de 19 milhões que foi o quanto reduziram o Ativo (que resumidamente são os bens e direitos que o município possui), que diminuiu de €263.204.064,86 em 2017 para €243.858.511,82 em 2019.

Ou seja, a gestão do Município de Paredes “derreteu” entre 2017 e 2019 Fundos Próprios de mais de 4 milhões de euros, cerca de 3%, mais de 2 milhões de euros no último ano.

Valores em euros

Retirado da Página 31 do Relatório de Gestão 2019

 

Isto, apesar do aumento de 12% nos Impostos e Taxas (em prejuízo dos paredenses), do aumento de 10% nas Transferências e Subsídios e do aumento de 38% dos Proveitos Extraordinários (que por definição são difíceis de repetir) e beneficiando de um contexto favorável que permitiu uma redução dos gastos financeiros para metade.

É um verdadeiro forrobodó, em que o aumento da receita é “sugado” por uma gestão despesista, que privilegia as despesas correntes (nomeadamente despesas com pessoal e consumos) em detrimento de Despesas de Capital (investimento), numa proporção de 65%–35%.

No que respeita à execução do orçamento, do lado da despesa, o destaque é para a baixa percentagem de execução das Despesas de Capital, pouco a cima dos 50%, o que reflete a falta de obra e de investimento que tem marcado este mandato.

Já no que respeita à receita, “salta aos olhos” o montante de impostos arrecadados, quer diretos quer indiretos que para além de terem aumentado, tiveram uma taxa de execução superior a 100%, ou seja ainda aumentaram mais do que o previsto.

Por outro lado, o valor orçamentado de receitas com a venda de Ativos Financeiros foi de 0%, o que vem dar força ao que se ventilou na altura da sua votação, de que os Orçamentos do Município de Paredes não são verdadeiros e que incluem receitas fictícias.

Não é por isso de estranhar que não se tenha cumprido a taxa de execução da receita a que o município estava legalmente obrigado.

Se estou surpreendido?

Não, porque fiz aquilo que infelizmente poucos paredenses fazem, que foi olhar para as contas do Município de Paredes referentes a 2017, a 2018 e para o orçamento para 2019.

É que eu posso até mastigar, mas… não engulo!

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