Esta semana chegou a Primavera, estação do ano em que a natureza “acorda” e os raios de sol mais fortes nos aquecem e revitalizam, numa época que tão difícil tem sido para todos nós.

O início da Primavera é marcado pela comemoração do Dia da Árvore, a que o município de Paredes se quis, e bem associar. Fê-lo plantando uma árvore e anunciando através de Francisco Leal, vice-presidente da Câmara Municipal de Paredes e responsável pelo pelouro do Ambiente, o objetivo do Município, “de durante este ano, plantar mais de 500 árvores de espécies autóctones, desde medronheiros, castanheiros, sobreiros, azinheiras, romãzeiras, amieiros e pinheiros mansos, entre outras árvores folhosas".

Mais de 500, pode ser 501 ou 500.000 e ninguém as vai seguramente contar, mas a sensação que fica é de que pouco mais sobra do que o “soundbyte”. Ao longo dos últimos anos quantas árvores terão sido plantadas? Valha-nos a sempre importante sensibilização das crianças, por parte dos seu professores e educadores. Crianças estas que dificilmente terão visto nas matas do concelho de Paredes medronheiros, romãzeiras, ou seja, lá o que for, para além das chamadas espécies invasoras com o eucalipto sempre à cabeça.

Em Paredes, o Dia da Árvore é visto “pela rama” (uma expressão feliz para utilizar nesta temática): plantar a árvore (que muitas vezes no ano seguinte já secou), fazer a promessa da ocasião, tirar a foto da praxe, enviar para a comunicação social, para as redes sociais e “está o dia ganho”!

Num concelho como o de Paredes, que tem sido tristemente notícia por nos últimos anos ser o concelho onde deflagraram mais incêndios florestais (só no ano passado foram 475 ignições de incêndios rurais), soa a pouco… muito pouco. É praticamente uma árvore por cada incêndio. Lidamos anualmente com uma autêntica catástrofe que só a preciosa ação dos nossos bombeiros tem impedido que atinja proporções ainda maiores.

Paredes tem, sobretudo na parte Sul do concelho, uma reserva natural com uma enorme importância, do ponto de vista ambiental, social e também económico, que só será protegida de forma eficiente se for incluída num modelo económico viável.

O aproveitamento económico do setor florestal é o caminho para a sua própria manutenção e sustentabilidade e pode ter um peso importante no concelho ao nível do turismo, das matérias primas para as suas indústrias, do aquecimento das suas populações nomeadamente a partir dos inertes, da empregabilidade e até ao nível da equidade porque as áreas com maior floresta coincidem normalmente com a zona onde as pessoas são mais esquecidas pelos poderes públicos.

Mas, para isso é necessário que os responsáveis políticos deem outra atenção a este setor, desenvolvendo as suas potencialidades e ajudando-o a ultrapassar as sérias dificuldades que enfrenta, de forma a tornar a floresta ordenada, produtiva e sustentável.

Cabe aos municípios um papel ativo nesta área, mobilizando, envolvendo e apoiando os proprietários florestais, promovendo o associativismo e a certificação florestal, que para além de outras vantagens aumenta o valor das matérias-primas e facilita na prevenção dos incêndios rurais.

E se o critério económico não for suficiente, lembremo-nos de que a floresta é um bem público, que nos dá um retorno superior ao valor que se consegue mensurar, pelo que também por isso justifica uma maior atenção ao nível dos apoios que se possam dar em termos de formação, investimento e inovação.

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