Nem mesmo durante uma pandemia em que todos, sem exceção, deveríamos contribuir para o bem comum, deixa de existir este grupo de pessoas, os negacionistas, que mesmo com evidências verificadas empiricamente se recusam a ver a realidade.

Costumo achar que conseguem ver a mesmíssima realidade que todos os outros, a única diferença é a forma como interpretam a sua liberdade, esquecendo-se que para serem realmente livres devem respeitar também a liberdade dos outros.

Facilmente podemos estabelecer aqui um paralelo entre os negacionistas acima referidos com negacionistas políticos. Aqueles que mesmo vendo uma desgraça a aproximar-se nada ou pouco fazem para a evitar, apesar de serem claras as evidências.

Tem sido por demais evidente que as medidas que agora têm vindo a ser tomadas, podiam já ter sido pensadas e colocadas em prática há muitos meses. Porque razão estes senhores políticos, decisores na sua maioria, fizeram questão de não ver o que era já esperado? Será que achavam que com mais ou menos tempo tudo ia passar?  Será que não queriam tomar medidas consideradas impopulares antes de serem, aos seus olhos, realmente necessárias, com medo de perderem popularidade?  

Esta negação é já por si grave a nível nacional. Quando a vemos a nível local, em que os decisores políticos estão cara a cara com os cidadãos e nada fazem, esse negacionismo assume contornos de individualismo atroz. Ou isso, ou uma completa impreparação e insensibilidade para a situação atual.

Focando-nos na situação mais local, e olhando para o nosso concelho de Paredes, podemos verificar que a situação é já por si muito má. E infelizmente vai ficar bem pior. Estamos a caminho de uma das maiores crises sociais dos últimos tempos. E o que é que o executivo municipal, os tais políticos de proximidade, que deviam entender o sentir das gentes fazem para ajudar a mitigar um pouco que seja o problema e a tornar a vida das pessoas um pouco melhor? Nada!!

Aqui em Paredes, vimos até agora algumas medidas para a fotografia do executivo municipal ou então algumas medidas avulsas, sempre sem qualquer custo para a autarquia já que não dão direito a foto.

Ainda esta semana, o próprio Ministro da Economia veio dizer que as autarquias locais devem ajudar o governo central com todas as medidas que puderem. Lembro, a este respeito, que logo no início desta pandemia o PSD Paredes sugeriu um conjunto de medidas ao executivo municipal no sentido de ajudar as famílias e as empresas. Algumas das medidas sem qualquer custo, pois seriam realizadas pelos meios disponíveis da Câmara Municipal e um conjunto mais amplo de medidas avaliadas em cerca de 5 milhões de euros, sem comprometer o orçamento municipal, apenas com reafectação de verbas. Temos ainda a questão do Natal em que devido à ausência de festejos fruto da situação atual, não serão gastas verbas tão elevadas, verbas estas que deveriam imediatamente ser afetas a medidas que melhorem um pouco a situação das famílias e empresas, nestes tempos tão difíceis.

É assim fundamental que estes negacionistas do poder local se apercebam rapidamente da dura realidade que está à sua volta e usem todos meios disponíveis para tornar a vida das pessoas um pouco melhor.

Não é momento de “amealhar” para que no próximo ano, ano de eleições, façam grandes obras, daquelas que dá para tirar muitas fotografias. É sim momento de usar todos os meios à disposição, e felizmente ainda são alguns, para que nas diversas áreas de intervenção, possam de facto facilitar a vida das pessoas e empresas.

Não é mais momento de negação. A dura realidade está a bater à porta e é necessário deixar o negacionismo tático para, juntos, enfrentarmos o que aí vem.       

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