É de esperar que um concelho vanguardista, atento às questões ambientais, e, interessado no desenvolvimento das atividades desportivas e de lazer, tenha nos seus habitantes a maior das preocupações.

Pode parecer estranho para alguns, mas o que é certo é que os concelhos são feitos de pessoas. São feitos de gente, que acorda todos os dias bem cedo para iniciar o seu longo dia de tarefas, e, muitos até só adormecem precisamente enquanto é cedo para outros, pois trabalhar precisa-se e o turno da noite, na generalidade, costuma ser mais bem pago. São feitos de gente, que logo bem cedo vão deixar os seus pequenos doces rebentos nas escolinhas. São feitos de gente, que muito luta para superar as adversidades da vida. São feitos de gente, que com uns dias melhores e outros dias menos bons, respiram esperança e que com ela querem viver.

Assim sendo, é de esperar que num concelho com um nº de habitantes tão considerável como Paredes (somos cerca de 90.000 habitantes), não faltem alternativas para fomentar as atividades desportivas e de lazer, isto porque de trabalho só não vive a natureza humana. Já agora, se estas atividades estiverem aliadas às questões ambientais, tanto melhor para nós e para aqueles que falei lá atrás - os doces rebentos que deixamos bem cedo nas escolinhas.

Enquanto alguns executivos camarários têm a capacidade de visão para o concelho que estão a governar, outros parecem que se deixam adormecer pela sensação eufórica daqueles primeiros dias, em que pela primeira vez, em anos e anos, tiveram a possibilidade de pisar os gabinetes da Câmara Municipal com o cargo que ocupam.

Paredes, também terá assim ficado adormecido?!

Onde estão as nossas ciclovias?

Onde estão as bicicletas públicas que em tempos estiveram disponíveis para serem utilizadas pelos Paredenses, por exemplo, nos circuitos do nosso Parque da Cidade de Paredes?

Bom, quanto às ciclovias, aquela situada na Avenida da República, no centro da Cidade, não está a ser utilizada pelas bicicletas (nem pelas públicas, nem pelas compradas pelos próprios ciclistas). A ciclovia a que me refiro, com as trocas e baldrocas que o sentido de trânsito tem sofrido, está a ser utilizada pelos carros. Parece que a largura da Avenida já não é suficiente para a circulação de todos, pelo menos até parte dela. O executivo da Câmara Municipal, segundo o que o próprio manifestou, procedeu à alteração do sentido de trânsito (de um sentido para dois sentidos), desde o acesso à Avenida pela zona da estação até à Igreja (permanecendo o resto da Avenida com sentido único), a título experimental. No entanto, esta experiência já dura faz mais de 2 anos.

Bom, quanto às bicicletas públicas, efetivamente, com todo este raciocínio começo a perceber o porquê de terem desaparecido. Se o Parque da Cidade, está a ser intervencionado para dar origem a umas piscinas ao ar livre, instalações estas que implicam uma redução considerável da área do Parque da Cidade, para que é necessário a disponibilização de bicicletas públicas se na realidade haverá menos espaço verde para com elas se circular?!

Lamentavelmente, enquanto muitos concelhos do país esforçam-se para incentivar a prática desportiva e promovem a utilização de meios de transportes alternativos e menos poluentes – a chamada “Mobilidade Suave”, como o caso das bicicletas, Paredes está a ficar para trás e a perder qualidades que já tinha.

Será que este Executivo Camarário, está com a pedalada certa?! Fica a questão para se refletir.

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