O Sindicato dos Jornalistas revelou algumas denúncias que estão a ser feitas pelos profissionais, pelas dificuldades na obtenção de informação. Segundo o sindicato, há presidentes de Câmara que estão a utilizar apenas as redes sociais pessoais para divulgarem os dados oficiais de casos positivos de COVID-19 no município.

 

Num período em que circula muita informação especulativa nas redes sociais, o Sindicato de Jornalistas emitiu um comunicado em que denuncia comportamentos menos abonatórios no que diz respeito à obtenção de informação fidedigna sobre o flagelo da COVID-19 nos municípios, referindo que “muitos presidentes de câmara assumiram o comando das operações, numa lógica de vedar a informação, ou, nalguns casos, de escolher os jornalistas a quem facultam dados, numa violação clara da lei e do direito à informação”.

É o caso do presidente da Câmara Municipal de Leiria que, segundo o sindicato, “optou por prescindir dos jornalistas, gerindo ele próprio a informação diretamente para as redes sociais”, ou então em Pombal, em que “o presidente da câmara decidiu fazer um briefing diário com os órgãos locais, escolhendo apenas três jornalistas para as ‘entrevistas’ (como lhes chamou) – gravadas em vídeo e só mais tarde partilhadas com os restantes órgãos de informação locais e regionais. Entretanto, depois de alertado para a ilegalidade da decisão, acabou por convocar todos os jornalistas dos órgãos regionais e nacionais para conferências de imprensa via Skype”. Foram ainda revelados outros casos que impossibilitaram os profissionais da comunicação social desempenharem o seu trabalho condignamente.

“A ‘lei da rolha’ a que muitos jornalistas (da imprensa regional e correspondentes da imprensa nacional) foram votados nos últimos dias conheceu episódios diversos a norte (em Fafe), a sul (Faro) e no Oeste, com as entidades de saúde pública a colocarem uma espécie de garrote na divulgação da informação, centralizada na Direção-Geral da Saúde. Vários jornalistas reportaram dificuldades em confirmar dados juntos dos serviços de saúde pública. Alguns chegaram a ser remetidos “para as conferências da DGS, já que tinham assim tanto interesse”. Há ainda outra dificuldade apontada por vários jornalistas em diversos pontos do país: as reuniões de câmara, que, até aqui, eram abertas, vão ser feitas por videoconferência, mas sem que os jornalistas tenham acesso. Convém lembrar que as reuniões das autarquias são tão importantes para a imprensa regional como as sessões do Parlamento são para a imprensa nacional, sendo, por isso, fundamental que os órgãos de informação continuem a assistir às mesmas, ainda que por videoconferência, sob pena de lhes ser claramente sonegado o direito à informação. Os jornais, as rádios e as televisões regionais não podem ser meras caixas de ressonância dos órgãos locais. Em tempo de crise como o que atravessamos, é imperioso que os media existam para mostrar o retrato do país, e isso só se consegue com jornalismo”, concluiu o sindicato.

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