Paula Gonçalves vai a eleições para a comissão política concelhia do PSD Paços de Ferreira. A ex-deputada apresentou uma lista com o objetivo de assumir a liderança do partido e lutar pela recuperação da Câmara Municipal, nas próximas eleições autárquicas.

Em entrevista ao EMISSOR, Paula Gonçalves explicou os motivos que a levaram a apresentar uma lista, fez um balanço ao trabalho de Joaquim Pinto na liderança do PSD Paços de Ferreira e deixou críticas ao executivo municipal.

 

O que a levou a apresentar uma lista para a liderança da Comissão Política Concelhia do PSD Paços de Ferreira?

Em junho constatei um inexplicável vazio, porquanto não existia qualquer candidato que tivesse demonstrado disposição para a assumir os desígnios da Comissão Política da nossa concelhia. A agravar o cenário, não se vislumbrava qualquer candidatura. O Dr. Joaquim Pinto tinha referido que, por motivos profissionais, não poderia dar continuidade ao seu projeto. Na sequência destas constatações e perante a minha inconformidade e incómodo, partilhado por muitos companheiros, decidi "desafiar" todos os militantes ativos no sentido de elaborarmos uma lista consensual e agregadora. 

Entende que o facto de haver duas listas candidatas revela vitalidade do partido, ou, pelo contrário, poderá ser um sinal de divisão?

Nunca foi minha intenção criar divisões no partido. Como anteriormente referi, pretendia abrir o projeto a todos, sem exceção. Posso adiantar que, inclusive, foi com muito gosto que também enderecei o convite ao atual outro candidato que, não me tendo negado o convite, felicitou-me pela coragem e deixou em aberto essa possibilidade, querendo apenas algum espaço para pensar no assunto. De resto, sempre fui adepta da postura democrática, mas sempre com lealdade.

Se for eleita presidente da Comissão Política, que medidas pretende implementar para o partido?

Na minha opinião, sem querer endereçar críticas a ninguém, teria orientado os trabalhos gerais do partido de uma forma diferente, nomeadamente no que ao debate político concerne. A nível externo, por exemplo, não tenho dúvidas que não teria sido tão branda nas lides com a oposição. Tenho como necessário e premente uma dinâmica ativa e participativa onde cabem todos e todas as opiniões, onde possamos congregar um conjunto alargado de pessoas que não se sintam marginalizadas, mas úteis. A revitalização, a angariação de novos militantes com ideias novas e válidas é um objetivo principal porque, não haja dúvidas, necessitamos de inovar. Mas quero deixar aqui uma pequena reflexão: para inovarmos, temos de conhecer profundamente as experiências anteriores, congregadas em muitos dos nossos companheiros mais antigos, mais experientes e que, em muitos casos, por desencanto ou por outro motivo qualquer, se afastaram. Todos serão importantes e necessários.

Já tem um candidato pensado para a Câmara Municipal? Qual seria o perfil ideal para recuperar o executivo?

Não lhes vou falar, por enquanto, das pessoas que possam reunir as condições para serem candidatos à Câmara Municipal. Não estaria, por motivos que, por agora, não vou expressar, a agir corretamente. Por outro lado, não é, neste instante, o tema que mais nos deve absorver a atenção e a atuação partidária que se avizinha. Mas acreditem, há gente muito competente e séria para o cargo e que detém o dom altruísta de se colocar ao serviço da população pacense. 

Que balanço faz da comissão cessante, liderada por Joaquim Pinto?

Na minha vida pessoal, sempre que surgem problemas, desentendimentos, opiniões divergentes ou outros, tenho por hábito tratá-los em sede própria. O mesmo se passa com a concordância, com a partilha da alegria, do sucesso e do bem-estar. Na política não sou, nem poderia ser diferente!! A honestidade mental é, para mim, uma espécie de tratado que tenho de, constantemente, saber respeitar. É nesse sentido que me vou limitar a informar-vos que, tudo o que se passou, de bom e de mau, dentro da "discussão" partidária foi, por mim, sempre tratado em sede própria e sempre com respeito para com as pessoas, não obstante o defeito virtuoso que me caracteriza - a frontalidade!!

Não tenho dúvidas que os companheiros que integraram a comissão cessante se aplicaram o melhor que podiam e sabiam. Deram, com toda a certeza, o seu melhor esforço. Cabe aos companheiros, em geral, aferir os resultados obtidos. 

Que balanço faz do atual executivo municipal?

Permitam-me que não me alongue nessa explicação, porque são trunfos que não quero, por ora, gastar outrossim a seu tempo usar. O atual executivo lá terá os seus (imensos) problemas internos que os desassossegam e os fazem distrair do que realmente importa - AS PESSOAS. Se a cada um dos nós fosse perguntado o que mais almejamos, não tenho dúvidas que a resposta era comum - a felicidade. Ora, para ser se feliz, é preciso ter estabilidade no emprego e na família; é preciso ter uma rede eficaz de cuidados de saúde; é preciso ter esperança, enfim, é preciso ter qualidade de vida!! E isso só será conseguido com o muito do que ainda há para fazer. E não me parece que que o atual executivo o tenha conseguido ou venha a conseguir. Quando se preocuparem menos com as medidas populistas e com a preservação do poder a qualquer custo, pode ser que consigam avançar um pouco mais nesse sentido. 

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