A distribuição de um panfleto da JSD Paços de Ferreira sobre os números da pandemia no concelho de Paços de Ferreira mereceu duras críticas do vice-presidente da Câmara Municipal. Paulo Ferreira acusa a “nova liderança” do PSD local de se aproveitar da pandemia e “usar o sofrimento de milhares de cidadãos para fins macabramente eleitorais”. O líder do PSD Paços de Ferreira descreve as acusações como sendo de “constante vitimização e desespero”.

A JSD Paços de Ferreira distribuiu pelas freguesias do concelho um panfleto com informação sobre a pandemia e onde refere que o município está “na linha da frente dos concelhos com mais casos por 100.000 habitantes”, responsabilizando as políticas do executivo municipal para o descontrolo dos números.

O ‘flyer’ mereceu uma reação muito crítica do vice-presidente da Câmara Municipal, que utilizou a sua página do Facebook para acusar o PSD Paços de Ferreira de se estar a aproveitar da pandemia para fins “macabramente eleitorais”.  Paulo Ferreira começou por referir que “os panfletos que o PSD local (travestido de JSD) decidiu lançar este fim de semana, classificando o nosso concelho como o pior caso de toda a União Europeia, para além de manifestamente falso, é revelador da vontade sincera desta nova liderança: aproveitar a pandemia, usar o sofrimento de milhares de cidadãos para fins macabramente eleitorais”. As críticas aumentam de tom pelo ‘timing’ utilizado… “Pior ainda é o momento que o PSD escolheu para fazer esta chicane política. No pico da segunda vaga, de uma dimensão avassaladora quer no concelho de Paços de Ferreira, quer no país, quer também no resto do mundo. Numa altura em que tantas famílias estão a sofrer com esta pandemia, num momento em que morrem cidadãos nossos, vítimas de Covid19, é absolutamente abjeto andar a entregar, porta a porta, panfletos como estes. Isto não é política. Isto é o grau zero do respeito, da decência e da urbanidade que se exige a qualquer ser humano”, concluiu a publicação.

 

Alexandre Costa: “Esta juventude partidária nunca representou trampolins para empresas municipais ou cargos de nomeação política”

O presidente da concelhia do PSD Paços de Ferreira, contactado pelo EMISSOR, demarcou-se das acusações e lembrou que “a JSD é uma estrutura de juventude partidária, estatutariamente independente do PSD. O pensamento próprio, sem orientações ou limitações ao pensamento e/ou à ação, fazem da JSD uma estrutura de jovens envolvidos e participantes no quotidiano do nosso concelho. Depois das violentas acusações feitas à estrutura, importa reportar que JSD em Paços de Ferreira, tem um legado de várias décadas, por onde já passaram muitos dos nossos conterrâneos, desenvolvendo o seu trabalho desinteressado em prol da comunidade, onde o envolvimento nas causas desta juventude partidária nunca representou trampolins para empresas municipais ou cargos de nomeação política. Outros não poderão dizer o mesmo sobre o histórico das juventudes partidárias dos seus partidos”, sublinhou.

Alexandre Costa explicou depois a origem dos dados estatísticos que constam no panfleto: “Eu, como qualquer cidadão que tenha visto o panfleto, pode verificar que o mesmo utiliza as fontes da DGS e www.ecdc.europa.eu/en para reportar os dados presentes. Se o Sr. Vice-Presidente questiona esses dados, é da sua responsabilidade. Mas, mais importante que isso é o facto da informação tornada pública pela JSD, não ter sido desmentida pelo executivo municipal. Sobre os números, eles parecem claros e do conhecimento de todos e, os dados reportados, devidamente baseados”.

Sobre as acusações de que foi alvo, Alexandre Costa recusa tratar-se de eleitoralismo. “Todos os nossos conterrâneos já se vão habituando a este constante papel de vitimização que o executivo municipal utiliza sempre que algo na sua ação não corre da melhor forma. E, neste contexto pandémico, a verdade é que algo falhou no planeamento, monitorização e sensibilização para a Covid19 no nosso concelho. Se no início da pandemia tudo era desconhecido, e a solidariedade de estado impunha-se, a verdade é que a preparação do concelho para esta segunda vaga foi manifestamente insuficiente. Estivemos de maio a outubro sem, por exemplo, conseguirmos colocar a Polícia Municipal no terreno com campanhas de informação e sensibilização junto da população. Num concelho fortemente industrializado como o nosso, não foi criada uma equipa de monotorização junto das empresas para as apoiar na implementação dos planos de contingência. E, estes dois exemplos, são apenas alguns daquilo que deveria ter acontecido entre maio e outubro, quando a pandemia deu algumas tréguas.

Hoje, fomos obrigados a gerir o contexto de emergência o que, como sabemos, acarreta danos sociais e económicos a todos. Relembro ainda que o PSD apresentou propostas de apoio social e económico em abril, que agora estão a ser apresentadas pelo PS, mas que em abril foram ridicularizadas. O PSD, por exemplo, alertou para a necessidade de abrir novamente os centros de rastreio, cujo o seu encerramento nunca fora devidamente explicado. Alertamos para a falta de exigência e revindicação por parte do executivo municipal junto dos responsáveis do Aces, que curiosamente, agora parecem ter sido reivindicadas. A verdade é uma, o PSD sempre foi uma voz de alerta, colaboração e apresentação de propostas, para evitar que o nosso concelho atingisse os números de contágio que atingiu. É incompreensível que Paços de Ferreira tenha estes números de contágio, manifestamente superiores a outros concelhos, social e industrialmente, idênticos ao nosso. E, não, não podemos meramente dizer que a culpa é dos nossos conterrâneos e que estes números foram naturais. O que é factual é que algo falhou e, estou certo que a comunicação e a sensibilização junto da nossa população falhou”, referiu.

O líder da oposição lamentou “profundamente o facto do Vice-Presidente da Câmara Municipal tecer tais comentários. Considero são movidos pela constante vitimização e desespero, e pelo reconhecimento de que a estratégia municipal de sensibilização junto da população, desde o início da pandemia foi inexistente e ineficaz.  Além de que as mesmas, demonstram que não está habituado a lidar com a critica irreverente da juventude. Mas estas atitudes não nos admiram, pois, este executivo tem ao longo dos tempos manifestado este tipo de postura de intimidação e de tentar silenciar os que não concordam com a sua governação.

Lamento, que seja recorrente fazê-lo com a JSD, como todos se deverão recordar de episódios anteriormente ocorridos e que, inclusive, desencadearam processos judiciais e que, no final de contas, comprovaram que a razão estava do lado dos nossos jovens”, concluiu.

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