Joaquim Pinto não se vai recandidatar à liderança da comissão política do PSD de Paços de Ferreira e, em conversa exclusiva com o EMISSOR, explicou os motivos que o levaram a fechar um ciclo político. Deixou ainda críticas à governação socialista na Câmara Municipal.

O que o levou a não se recandidatar à liderança da comissão política do PSD de Paços de Ferreira?

​Tomei esta decisão depois de alguma ponderação pessoal e familiar. As minhas responsabilidades profissionais e exigências em termos de disponibilidade impede-me de desempenhar adequadamente o papel de Presidente do PSD de Paços de Ferreira num momento como o que vamos agora iniciar: de preparação das próximas eleições autárquicas.

Foi uma decisão ponderada e irreversível?

Sim, bastante ponderada, inicialmente com a minha família, depois com alguns amigos próximos que me têm acompanhado nesta caminhada que se iniciou há cerca de 3 anos. É irreversível. Eu não sou pessoa para dizer hoje uma coisa e amanhã mudar de opinião por pura tática política. É um capítulo encerrado. Mas que fique claro que esta decisão não implica a minha reforma. Vou continuar a estar atento e a intervir no dia-a-dia do meu concelho, do meu distrito e do meu país sempre que entender. 

Enquanto vereador na Câmara Municipal, que balanço faz do executivo municipal?

Até ao momento, medíocre. Mantém o registo de suportar a popularidade do Executivo e em particular do Presidente de Câmara nos gastos em festinhas e "prendas". Sabe que se gastou mais de 10.000€ em bolos-reis neste Natal? Com que objetivo? Em que contribuíram os bolos-reis para a felicidade dos idosos a quem foi oferecido. Não seria melhor direcionar recursos municipais para lhes criar situações de maior conforto nas instituições que os acolhe? Mas vamos aguardar por esta segunda metade do mandato e vamos ver como se resolvem questões importantes para a qualidade de vida da nossa população como a limpeza urbana (as cidades estão mais sujas e a população já está a notar), a recolha dos resíduos, uma vez que continuamos a aguardar a resolução de um problema que foi criado pela incompetência deste Executivo, e a resolução da questão da água, cuja incapacidade de encontrar uma solução sólida por parte do PS contribui para que a cada dia que passa aumente a fatura a pagar à concessionária.

Sai num período em que existe alguma turbulência política no partido que lidera o executivo. Que análise faz desta situação?

Não quero comentar situações internas do PS. Apenas digo que esta instabilidade, nunca vista no PSD, nem mesmo quando estamos na oposição, demonstra bem que é um partido que não está preparado para governar a nossa Autarquia e o nosso concelho. E no futuro isto será pago.

Ficou surpreendido com as saídas de Ricardo Pereira da Assembleia Municipal e, agora, de Paulo Sérgio Barbosa do executivo?

Não. Conhecendo a personalidade dos envolvidos no diferendo, não posso dizer que tenha ficado surpreendido.

Sente que a instabilidade interna do PS poderá beneficiar o PSD nas próximas eleições?

Penso que o PSD deve estar, acima de tudo, focado no caminho que temos estado a trilhar para se apresentar perante a população como uma alternativa sólida. Sabe que a equipa de Vereadores do PSD (eu e a Célia Carneiro) este mandato já apresentou mais de 25 propostas ao Presidente para submetê-las a discussão nas reuniões de Câmara? Isto demonstra trabalho e visão para o nosso concelho! Sabe quantas o Presidente submeteu a discussão e votação? Zero!! Repito: zero! Sabe o que isto significa? Além de ser uma ilegalidade, significa que não existe espírito democrático para ou votar a favor ou, por pura tática política, não querer ficar com o ónus de votar contra.

O PSD perdeu terreno nas duas últimas autárquicas, depois de um intenso domínio do partido. Pelo que ouve, o concelho perdeu a identidade PSD que a caracterizava?

Penso que não. Ganhámos as duas últimas eleições que ocorreram. E quem fala em perda de votos em comparação com as eleições europeias e legislativas anteriores só o pode fazer por má fé, pois no resto do distrito, só em Paços e na Póvoa o PSD ganhou as duas! O PSD está cá! E há de voltar ao poder porque mais tarde ou mais cedo a população vai perceber que esta experiência de ter o PS a liderar a nossa Câmara é um fenómeno passageiro que não augura nada de bom.

Com a sua saída, como será conduzido agora o PSD de Paços de Ferreira?

Será seguramente bem conduzido. O PSD tem quadros de elevada qualidade prontos para dar seguimento ao trabalho que a minha equipa desenvolveu nos últimos 2 anos.

Há pessoas capazes no partido de o fazerem reerguer e reconquistar a Câmara Municipal?

Sim. Sem qualquer dúvida.

Uma mensagem para o eleitorado do concelho…

Apesar de sublinhar que não me vou reformar na minha intervenção cívica, quero obviamente agradecer aos que em mim confiaram com o seu voto nas últimas eleições autárquicas, mas ao mesmo tempo agradecer aos que não tendo confiando, sempre me trataram com muita simpatia e respeito. Podem continuar a contar com o meu empenho e dedicação para que tenhamos um futuro melhor.

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