Na Escola Básica e Secundária de Lordelo, situada em Paredes, os professores têm tendência a manter a porta aberta levando em conta as diretrizes estipuladas pela Direção-Geral de Saúde e, mesmo após a DGS ter indicado a possibilidade do fecho das portas e arejamento dos espaços durante o intervalo, ainda existem muitas dúvidas que procuramos esclarecer. A par do confinamento, existem problemas no âmbito escolar que poderão ressurgir.

Na Escola Básica e Secundária de Lordelo, em Paredes, as obras decorrem nos vários espaços. É possível observar as remodelações nos edifícios e, ainda, os trabalhadores a esforçarem-se para terminar o trabalho já iniciado.

Com as obras, existem pavilhões abertos, nomeadamente o pavilhão de educação física, onde ainda não existem janelas e os portões apresentam-se abertos. Os alunos estão com roupa de inverno, muitos com cachecol e gorro, de forma a combater o frio com as “armas” que têm.

Durante os últimos dias têm-se sentido o frio, de uma forma mais severa, devido às baixas temperaturas e, tanto professores como alunos, queixam-se em prol de manter as portas e janelas fechadas, de forma a que a temperatura regularize no interior das salas de aula.

Tendo em conta as queixas que partem dos professores e alunos, o EMISSOR procurou visitar um espaço escolar para perceber de que forma estão a ser geridas estas queixas. Em conversa com a professora de português Susana Teixeira, de 47 anos, procurou entender-se se, durante as aulas, a tendência é deixar a porta aberta, ao que a própria refere “nesta altura, com o frio a apertar, os alunos têm frio e eu, normalmente, fecho a porta do exterior, mantendo a porta do interior aberta”, acrescentando que existe a “tendência de a deixar aberta (do exterior) ou, às vezes, recolho um bocadinho, mas normalmente fica aberta, tem que ser”.

 

Fotografia por Diana Ferreira

 

No âmbito do aquecimento da escola, esta carece de ar condicionados ou outro equipamento que permita aquecer as salas, ao que a Susana Teixeira evidencia como uma “falha”, uma vez que as obras estão a ser feitas e “poderiam ter levado isso em atenção”, adianta a professora.

É ainda referido, em conversa com a professora de português, se a questão climática atrapalha a aprendizagem, ao que Susana Teixeira afirma “nós professores ainda andamos de pé, para trás e para a frente, ainda nos mexemos; agora eles acabam por estar ali, sempre mais contidos, tem que ser, e pronto, às vezes eles queixam-se, vêm com umas mantas para se protegerem um bocadinho”, apesar disso, a professora diz serem participativos durante a aula.

De forma a perceber melhor em que posição se situa a escola face às diretrizes da DGS, o professor José Lourenço, membro da direção da escola e professor de Ciências Naturais, refere que a escola não tem “autonomia para decidir” e “nesta, como noutra situação, já é assim que temos que funcionar, porque, às vezes, há decisões que não dependem de nós e os pais e a comunidade escolar, às vezes, ficam revoltados com as escolas… como se as escolas tivessem essa liberdade”, adianta.

Face às normas estipuladas pela DGS em resposta à pandemia, o membro da direção escolar afirma que “são ordens que têm que vir de Lisboa” e acrescenta que “nós também podemos ligar, podemos criticar, podemos mandar um email, podemos pedir informações junto de órgãos centrais em como não concordamos; e acho que foi isso que aconteceu com isto das ‘portas abertas’; está muito frio de facto e, se aqui em Lordelo está frio, imagine-se as escolas em Trás-os-Montes e na Guarda, com muito mais frio ainda e estar a ensinar de portas abertas”, evidencia.

Nesta linha de pensamento, José Lourenço refere a questão das “portas abertas” como “uma loucura” e adianta que “deve ter havido alguma pressão das escolas junto do ministério da educação e eles resolveram alterar e enviaram um boletim com a nova informação que de facto “se pode fechar” (as portas), em algumas circunstâncias”.

 

Fotografia por Diana Ferreira

 

Relativamente à Escola Básica e Secundária de Lordelo, o professor realça que não houve queixas por parte dos pais e, apesar de em janeiro existir um arrefecimento, até dezembro “não tivemos assim muito frio” e, agora com as obras, “mesmo às vezes com uma porta aberta, está-se bem dentro das salas, isto se não houver corrente de ar”, explica.

Na sequência de uma questão colocada ao membro da direção no que toca à inexistência de ar condicionados nas salas de aula, é logo referido, por parte de José Lourenço, o benefício das obras na escola, explicando que a escola esteve para ser intervencionada em 2011 pela Parque Escolar, o que acabou por não acontecer com a mudança de Governo do PS, com Sócrates, para o Governo com PSD, com Passos Coelho, onde foi realizada uma auditoria à Parque Escolar e todas as obras ficaram estagnadas. Nessa altura, o professor recorda que houveram escolas que “fizeram obras fantásticas, gastaram montes de dinheiro, colocaram ar condicionados em todas as salas” e que, agora, não existe orçamento para pagar o aquecimento e, por isso, não estão a ser utilizados.

Em Lordelo, não existe aquecimento nas salas, porém, a escola levou em atenção a questão de incluir, nas salas, vidros duplos e capoto (nas paredes) e, tendo em conta estas condições, o professor José Lourenço não sente “a necessidade de ter aquecimento estando as portas fechadas…”, exemplificando que, quando está a lecionar, não sente essa necessidade.

A par desta questão, José Lourenço salienta que, de facto, “com isto da pandemia, houve esse problema de ter as portas abertas, e nós até tínhamos que ter as portas abertas e os professores estavam-se a queixar nesse sentido, que era trabalhar com portas abertas; porque se estiver tudo fechado, não é necessário aquecimento”, conclui.

 

Confinamento à vista

 

Esta semana, várias medidas estão a ser apresentadas e colocadas em questão para posterior aprovação, de forma a dar seguimento ao confinamento.

Nessa medida, procuramos entender quais serão as maiores dificuldades nesse âmbito para os professores e alunos, ao que a professora Susana Teixeira adianta “eles não aprendem da mesma maneira como se fosse presencial; nós professores ensinamos na mesma, mas é diferente, nós não conseguimos ver as dificuldades em si de forma individual” e acrescenta que “outra dificuldade da nossa parte são as câmaras, que eles às vezes recusam-se a ligar e, para nós, também é complicado, porque não sabemos o que é que do lado de lá está a acontecer”, esclarece.

Tendo em conta que a professora Susana Teixeira leciona a partir do 7º até ao 12º ano, entende-se que existem alunos mais distraídos e outros menos, fruto da idade compreendida entre os 12 e os 18 anos, por isso, a professora de português explica que “eles facilmente se distraem do outro lado, não é? Ouvir, pelo ecrã, têm que ser mesmo responsáveis e esforçarem-se… e sabemos que nem todos têm esse tipo de comportamento, e dificulta bastante”, conclui.

 

Fotografia por Diana Ferreira

 

De acordo com José Lourenço, membro da direção e professor, a indecisão no que toca ao confinamento existe, e o próprio refere que existem pessoas como o antigo diretor do Hospital de São João, entrevistado por um canal televisivo nacional, que não estão de acordo com o novo confinamento e, sendo ele portador de grande experiência, José Lourenço pondera a opinião do próprio. A par deste, é ainda referido, por parte de muitas outras entidades, que o confinamento é “a única forma de quebrar os elos de contágio é mesmo haver um confinamento total, ou seja, a única forma de parar a pandemia neste momento é fechar tudo”, opinião que o professor compreende, explicando que “se os miúdos continuam a vir à escola, e continua a haver cadeias de contágio, para ao avós, para os pais, por aí fora, eu percebo isso”.

Relativamente à escola, o membro da direção adianta desde logo que “outro problema acho que tem a ver com a qualidade do ensino, ou seja, por mais que as coisas possam correr bem – nós aqui, acho que correu bem no ano passado – nunca é a qualidade do presencial, ou seja, os alunos, em especial do secundário, vão ser altamente prejudicados”, acrescentando que “neste arranque de ano, estiveram um mês a dar a recuperação de matérias do 10º ano, é tudo muito bonito, mas depois ao estarem um mês a darem matéria de 10º ano, perderam tempo para a matéria de 11º ano - os programas de 11º ano já por si são muito grandes - e terão exames no final de 11º; se eles agora forem para casa 15 dias, isto vai ser muito complicado… que condições é que eles têm para fazer os exames no final de junho? Ficam comprometidos”, conclui.

 

Fotografia por Diana Ferreira

 

Além destas questões, José Lourenço realça que a escola tem um papel social muito importante, nomeadamente no que toca à deteção de problemas em famílias e encaminhamento de alunos para a CPCJ, assim como casos de violência doméstica que deixarão de ser detetados num próximo confinamento geral.

Na Escola Básica e Secundária de Lordelo existiram 30 casos de alunos positivos no primeiro período e, com o início do segundo período, foram detetados mais dois. Tendo em conta estes números, a percentagem de caso positivos é baixa e o professor acaba por explicar que “há quem seja contra o fecho das escolas, a ideia que eu tenho desta escola é que nós, em certa medida, não contribuímos para a propagação do vírus pelo seguinte: sempre que nós detetamos um caso, a escola isola”, esclarecendo ainda que “os casos que deram positivo eram alunos que foram contagiados por pessoas fora da escola, ou seja, o contágio não foi aqui dentro”, finaliza. 

Pin It

Publicidade (4)

Mais Lidas