Hugo Sousa em entrevista: "Se não fosse comediante? Seria triste e infeliz…" (C/VÍDEO)

Hugo Sousa está de volta aos palcos para um tour pelo país e vai estar em Seroa, Paços de Ferreira, para uma sessão que já tem lotação esgotada. Em entrevista do EMISSOR, o comediante abordou o estado atual do humor em Portugal.

Como é ser-se comediante numa sociedade marcada pela intolerância ideológica?

Enquanto comediante, tenho de me estar a marimbar completamente para isso e pensar que tenho de fazer as piadas que acho boas  sobre temas com que me identifico. O que vai acontecer é que depois vai haver público que gosta e se identifica e público que não gosta. Vai sempre haver quem não gosta e está tudo bem porque não podemos gostar todos do mesmo. 

Sente-se condicionado por essa intolerância nas piadas que transmite ao público?

Claro que não. Vivemos num país com liberdade de expressão.

Há quem diga que fazer os outros rir, por vezes, o ator entra numa espiral de depressão. É verdade, ou mito?

O que acho é que é uma vida propícia a que isso aconteça se não se tiver uma base familiar sólida e os pés bem assentes na terra. A comédia é uma profissão com horários  opostos ao das pessoas “normais” (trabalhamos à noite) e há a pressão constante de ter piada. Muitas pessoas abdicam de profissões das 9h as 18h para se dedicarem à comédia e perdem a estabilidade financeira para o risco que é o mundo artístico sem a certeza que vão conseguir singrar na área e isso representa uma pressão enorme. Sem salário, subsídios de Natal e de férias e com contas para pagar. É um trabalho de alta pressão que muitas vezes demora a dar frutos.

O público português gosta mais de rir ou de fazer rir?

Isso já depende da pessoa mas acho que o português em regra geral é animado.

Quais são os temas mais tolerantes e intolerantes do público? E que reação têm depois de o ouvir?

Os temas mais tolerantes são os mais banais como, sei lá, comida, transportes ou maçanetas (há piadas incríveis acerca de maçanetas!) . Quanto aos mais intolerantes, isso depende da pessoa que está a ouvir mas, pela minha experiencia pessoal, o mais controverso é sempre o futebol. Pelas reações que já vi, penso que por vezes as pessoas aceitavam mais depressa uma piada sobre a própria mãe.

Qual foi a situação mais caricata que teve em cima de um palco?

Já houve muita coisa… desde pedidos de casamento combinados com o noivo para chamar a noiva a palco, comediantes a correrem nus, discussões com bêbados do público… confesso que já aconteceu muita coisa mas, no fundo, são espetáculos de comédia portanto vale muita coisa. Logo que não faça cocó nas calças está tudo bem.

Como descreve o estado do nosso humor, a nível da profissão… e do estado de espírito das pessoas?

O humor em Portugal está de muito boa saúde. Há cada vez mais e melhores comediantes e há cada vez mais público o que me deixa muito contente!

Se não fosse comediante, o que seria…

Seria triste e infeliz…

Escolheu o título “Fora do Contexto" para o seu novo espetáculo… porquê ‘fora do contexto’?

Porque conto muitas histórias minhas no espetáculo que têm piada porque eu estava fora do contexto… e mais não posso dizer.

O que o público pode esperar na sua visita a Seroa?

Pode esperar o meu melhor espetáculo. Tenho muito orgulho deste Fora do Contexto.

Quer deixar uma mensagem aos leitores do EMISSOR?

Apareçam porque não se vão arrepender. Uma sessão já esgotou(obrigado a todos!), a segunda vai a caminho!

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Hugo Sousa em entrevista:

Hugo Sousa em entrevista: "Se não fosse comediante? Seria triste e infeliz…" (C/VÍDEO)

Hugo Sousa está de volta aos palcos para um tour pelo país e vai estar em Seroa, Paços de Ferreira, para uma sessão que já tem lotação esgotada. Em entrevista do EMISSOR, o comediante abordou o estado atual do humor em Portugal.

Como é ser-se comediante numa sociedade marcada pela intolerância ideológica?

Enquanto comediante, tenho de me estar a marimbar completamente para isso e pensar que tenho de fazer as piadas que acho boas  sobre temas com que me identifico. O que vai acontecer é que depois vai haver público que gosta e se identifica e público que não gosta. Vai sempre haver quem não gosta e está tudo bem porque não podemos gostar todos do mesmo. 

Sente-se condicionado por essa intolerância nas piadas que transmite ao público?

Claro que não. Vivemos num país com liberdade de expressão.

Há quem diga que fazer os outros rir, por vezes, o ator entra numa espiral de depressão. É verdade, ou mito?

O que acho é que é uma vida propícia a que isso aconteça se não se tiver uma base familiar sólida e os pés bem assentes na terra. A comédia é uma profissão com horários  opostos ao das pessoas “normais” (trabalhamos à noite) e há a pressão constante de ter piada. Muitas pessoas abdicam de profissões das 9h as 18h para se dedicarem à comédia e perdem a estabilidade financeira para o risco que é o mundo artístico sem a certeza que vão conseguir singrar na área e isso representa uma pressão enorme. Sem salário, subsídios de Natal e de férias e com contas para pagar. É um trabalho de alta pressão que muitas vezes demora a dar frutos.

O público português gosta mais de rir ou de fazer rir?

Isso já depende da pessoa mas acho que o português em regra geral é animado.

Quais são os temas mais tolerantes e intolerantes do público? E que reação têm depois de o ouvir?

Os temas mais tolerantes são os mais banais como, sei lá, comida, transportes ou maçanetas (há piadas incríveis acerca de maçanetas!) . Quanto aos mais intolerantes, isso depende da pessoa que está a ouvir mas, pela minha experiencia pessoal, o mais controverso é sempre o futebol. Pelas reações que já vi, penso que por vezes as pessoas aceitavam mais depressa uma piada sobre a própria mãe.

Qual foi a situação mais caricata que teve em cima de um palco?

Já houve muita coisa… desde pedidos de casamento combinados com o noivo para chamar a noiva a palco, comediantes a correrem nus, discussões com bêbados do público… confesso que já aconteceu muita coisa mas, no fundo, são espetáculos de comédia portanto vale muita coisa. Logo que não faça cocó nas calças está tudo bem.

Como descreve o estado do nosso humor, a nível da profissão… e do estado de espírito das pessoas?

O humor em Portugal está de muito boa saúde. Há cada vez mais e melhores comediantes e há cada vez mais público o que me deixa muito contente!

Se não fosse comediante, o que seria…

Seria triste e infeliz…

Escolheu o título “Fora do Contexto" para o seu novo espetáculo… porquê ‘fora do contexto’?

Porque conto muitas histórias minhas no espetáculo que têm piada porque eu estava fora do contexto… e mais não posso dizer.

O que o público pode esperar na sua visita a Seroa?

Pode esperar o meu melhor espetáculo. Tenho muito orgulho deste Fora do Contexto.

Quer deixar uma mensagem aos leitores do EMISSOR?

Apareçam porque não se vão arrepender. Uma sessão já esgotou(obrigado a todos!), a segunda vai a caminho!

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