OpiniãoA GREVE GERAL E A “TANGA” DA SOBREVIVÊNCIA DO PCP

A GREVE GERAL E A “TANGA” DA SOBREVIVÊNCIA DO PCP

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Há palavras que envelhecem bem, e há palavras que se gastam, “Greve geral”, por exemplo, é daquelas que já nasceu pesada, cheia de passado, carregada de conquistas, suor e confrontos. Mas nos últimos anos tem sido usada como quem agita um pano vermelho já desbotado: mais gesto do que força, mais ritual do que impacto.

Quando o PCP volta a soprar este velho balão de borracha, muitos de nós – sobretudo aqui, na vida concreta das nossas terras – já reconhecemos o som do ar a esvaziar. Não porque os problemas não existam. Existem, e como. Salários curtos, rendas longas, serviços públicos a coxear. Mas porque a greve geral parece ter deixado de ser ferramenta de transformação para se tornar, cada vez mais, numa tábua de salvação partidária.

Chamem-lhe estratégia, tradição ou reflexo condicionado: a verdade é que a convocação sucessiva de protestos de escala nacional parece hoje menos uma resposta aos trabalhadores e mais um momento de afirmação interna. Um modo de o PCP recordar ao país que ainda respira – e talvez de o lembrar também a si próprio.

Aqui no concelho de Lousada, onde as empresas são pequenas e os empregos são frágeis, poucos acreditam que uma paralisação de 24 horas vá resolver algo. Os comerciantes abrem a porta porque não podem fechar. Os funcionários hesitam porque o bolso já treme com o fim do mês. E os jovens olham para estas palavras de ordem com o mesmo espanto com que olham para um fax: “isto ainda existe?”

A sensação, para muitos, é simples: a greve geral transformou-se numa tanga, um expediente simbólico para manter viva uma narrativa que já não encontra eco na realidade laboral do país.

Mas há algo de trágico nisto. O PCP, com todos os seus defeitos, foi durante décadas uma âncora de luta pelos direitos de quem trabalha.

Hoje parece agarrar-se à greve geral, não por força, mas por falta de alternativas – como um marinheiro que, ficando sem barco, se agarra à boia mais velha.

Se queremos mudanças reais, elas não virão de rituais cansados. Virão de novas formas de participação, de diálogo renovado, de coragem politica para sair da rotina. A greve geral pode até fazer barulho, mas já não faz história.

E, no fim, talvez seja isso o mais difícil de admitir.

TSD LOUSADA

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