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As Novas Gerações de Paços de Ferreira: Ficam, Saem ou Continuam à Espera?

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Num momento em que o país vive agitação social, marcado por novas reformas do Estado que desencadearam uma greve geral inédita na última década, é inevitável perguntar o que significa tudo isto para os jovens de Paços de Ferreira? E, mais importante ainda, que futuro lhes estamos a oferecer?

Há muito que se discute se os jovens do nosso concelho saem ou ficam. Na verdade, muitos saem não porque querem, mas porque sentem que não têm alternativa. A economia local, fortemente assente na indústria do mobiliário, continua robusta, mas ainda não consegue oferecer, de forma consistente, oportunidades qualificadas para uma geração que cresceu com ambições globais. Há talento, há vontade, há energia falta um ecossistema que a aproveite.

As recentes reformas do Estado, justificadas em nome da “sustentabilidade financeira”, atingem de forma particular quem agora entra no mercado de trabalho carreiras mais longas, contribuições mais elevadas e um Estado Social aparentemente mais distante. Quando os jovens olham para este cenário e para a instabilidade que gerou uma greve geral a mensagem que recebem é contraditória pedem-lhes mais esforço, mas oferecem-lhes menos garantias.

Paços de Ferreira tem aqui uma oportunidade histórica. Em vez de assistir passivamente à saída dos seus jovens mais qualificados, pode agir. Como? Através de políticas locais que não dependem do Governo Central, incubadoras de empresas verdadeiramente funcionais, incentivos à inovação no sector do mobiliário, parcerias com universidades, bolsas municipais que prendam talento ao território e programas que promovam o empreendedorismo. Uma autarquia que aposta nos jovens é uma autarquia que investe no seu futuro económico.

A revitalização do concelho não virá apenas de mais estradas, mais rotundas ou mais zonas industriais. Virá sobretudo da capacidade de transformar Paços de Ferreira num lugar onde um jovem imagina a sua vida a acontecer onde consegue trabalhar, criar, arriscar, formar família e sentir que está num concelho em movimento.

Se as reformas do Estado geram protestos, tensões e incerteza, cabe aos municípios compensar essa instabilidade com visão e coragem. Ou damos aos jovens motivos para ficar, ou continuaremos a vê-los partir. E cada jovem que parte leva consigo um futuro que poderia ter sido nosso.

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