OpiniãoA traição a quem votou diferente

A traição a quem votou diferente

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O Município de Paços de Ferreira vai ter, em 2026, o maior orçamento da sua história, superior a 88,5 milhões de euros. Deste valor global, 20% será destinado ao pagamento de salários, ou seja, cerca de 17,7 milhões de euros para remunerar mais de 1000 funcionários que exercem funções nas várias áreas da gestão municipal. Importa, contudo, esclarecer que comparações históricas devem ser feitas com rigor: no tempo de Pedro Pinto (PSD), um registo publicado em Diário da República em 2008 refere 207 trabalhadores não docentes, no entanto, seriam no total cerca de três centenas de colaboradores, números que ilustra uma realidade administrativa substancialmente diferente da atual.

Estamos perante um orçamento que, pela sua dimensão, exige visão, coordenação e liderança clara. Caso contrário, corre o risco de se transformar numa verdadeira torre de Babel, onde muitos falam, poucos se entendem e os pacenses pagam a conta. Não discutirei essa questão neste artigo (ficará para outra oportunidade), uma vez que estas linhas se centram na forma como o documento foi aprovado.

Como é sabido, o partido que lidera o executivo municipal encontra-se em minoria na Assembleia Municipal e, ainda assim, o orçamento foi aprovado. Tal aconteceu porque os presidentes de junta eleitos pelo PSD votaram a favor, ao contrário dos deputados municipais do mesmo partido, que votaram contra. Este facto evidencia um desalinhamento político entre eleitos locais e a orientação da comissão política do partido, levantando a questão da coerência da representação política perante o eleitorado.

Esta situação não é inédita na vida democrática local e envolve protagonistas já conhecidos, sendo interpretada por alguns como uma estratégia de aproximação política que fragiliza a posição do PSD perante os seus eleitores e a sociedade pacense.

Estas posições podem condicionar a ação futura do partido na Assembleia Municipal, sobretudo quando dependente de coerência interna para sustentar propostas e decisões. Para o novo presidente da comissão política do PSD, Miguel Pereira, este episódio constitui um primeiro teste à capacidade de liderança e gestão interna, podendo influenciar o clima político nos próximos ciclos eleitorais.

Admite-se, no plano político, que alguns destes presidentes de junta possam, no futuro, alinhar com projetos políticos distintos. Tal cenário, contudo, permanece no domínio das hipóteses e dependerá da evolução do contexto político local e das escolhas individuais dos eleitos.

Tendo o orçamento sido aprovado pela maioria na Assembleia Municipal de Paços de Ferreira, o resultado político é inequívoco: o executivo garantiu as condições necessárias para governar e executar o seu plano, com o contributo determinante dos eleitos que, apesar da sua filiação partidária, PSD, optaram por viabilizar o documento da concorrência, a esquerda.

Finalizo com votos de muito sucesso a quem vai liderar este orçamento, esperando que o faça em benefício de todos, e aproveito para felicitar, desde já, esta conquista por parte de Paulo Ferreira, colocando o PSD onde ele parece não querer sair.

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