OpiniãoO novo (des)governo

O novo (des)governo

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Em 2015 ficou célebre a tirada da direita quando a correlação de forças à esquerda conseguiu destronar a direita do poder e assim impedir o descalabro social que os discípulos do liberalismo económico queriam impor.

É certo que houve algum progresso social para os trabalhadores e população, embora muitos acusem que não foi o esperado. Aqui relembro que não se foi mais longe como o PCP desejava, porque na correlação de forças à esquerda eram necessários mais votos e deputados do PCP para que o PS aceitasse condições mais vantajosas para os trabalhadores. Contudo, houve a reposição dos salários, dos subsídios de Natal e férias.

De forma geral as pessoas começaram a ter mais qualidade de vida, embora as medidas de fundo nunca fossem alteradas, a saber: aumento dos salários e das pensões para valores mais justos e fim das normas gravosas do Código do Trabalho. Isto porque o PS não abdica da sua indissociável aliança com o capital.

Passados 7 anos, observamos ao regresso da direita ao poder. Iremos assistir ao liberalismo social e económico, no qual os impostos dos portugueses servirão para alimentar a ganância do capital e não para resolver as dificuldades diárias das populações. Como que já prevendo, o PCP apresentará uma moção de rejeição ao programa do governo da AD, pois a força que o povo nos deu nas urnas mostra que não quer um programa de governo de direita. Ao contrário do que falam os comentadores afetos ao capital, o PCP não precisa de provas de vida, pois basta passar à porta das empresas e nas ruas para vermos o PCP a lutar por melhores condições de vida.

Com a apresentação dos novos ministros do XXIV governo constitucional, mais razão tem o PCP na sua moção de rejeição ao programa de governo da AD, visto que temos ministros que são contra o tratamento mais favorável dos trabalhadores no código do trabalho; contra o que se conseguiu devolver aos portugueses em 2015, como feriados e salários. O novo governo já decidiu e terá amplo apoio à sua direita para implementar o que decidiu: capital mais rico, portugueses a pagar para o capital.

Contudo, os portugueses sabem que há um Partido que lutará a seu lado e não deixará passar, sem o devido combate à política de direita, quem bem conhecemos desde as primeiras eleições livres em 1975 para a Assembleia Constituinte.

 

Bruno Sousa (professor)

Membro da Comissão Concelhia de Penafiel do PCP

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