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Felgueiras: Pedro Moreira segue rumo a Fátima há anos pela fé e para ajudar o próximo

Pedro Moreira tem 45 anos, é natural de Felgueiras e é peregrino. Desde há uns anos para cá tem ido, todos os anos, até Fátima a pé. Este ano, decidiu ir a Fátima através dos Caminhos de Santiago.

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Iniciou a sua jornada como peregrino após ter tido formação nos Bombeiros de Felgueiras. Em 2014 conheceu a esposa numa peregrinação e, em 2016, casou-se. Hoje considera ter uma família feliz, vive com fé e não desiste de ir, todos os anos, a Fátima.

EMISSOR: Pode contar-nos um pouco sobre como começou a sua paixão pela peregrinação?

Pedro Moreira (PM): Eu comecei a paixão pela peregrinação logo que tirei formação de bombeiro, entretanto fui com a ambulância durante três ou quatro anos dos Bombeiros de Felgueiras a prestar auxílio a dois ou três grupos. Depois, a partir dessa data resolvi ir a pé, foi quando comecei a ir num grupo de Figueiró/Amarante, com cerca de uma centena de pessoas e fiquei a gostar.

Entretanto, comecei a fazer a peregrinação a Fátima sempre, nunca foi por promessa, foi mesmo para ajudar as pessoas que necessitavam, para dar ânimo nas peregrinações e comecei a ir todos os anos.

Este ano, devido à pandemia, nunca tinha ido pelos Caminhos de Santiago e eu, mais cinco amigos resolvemos fazer o caminho e ir até Fátima. E gostei. É um caminho completamente diferente, mais bonito, onde a gente não anda tanto na estrada, porque os outros anos a gente anda muito na estrada, é muito perigoso.

Direitos Reservados

EMISSOR: Ao longo dos anos, de que forma é que a peregrinação e a fé contribuíram para a sua vida?

PM: Contribuíram muito porque, pelo menos, agradecer à Nossa Senhora de Fátima pela vida que nos tem dado ao longo do ano. Por isso é que há sempre motivação, e quando a gente termina uma caminhada a Fátima, pensa longo em fazer outra. Fica logo a pensar na próxima. Porque criamos amigos, criamos amizades, vemos o sofrimento das pessoas que chegam lá e é uma motivação grande.

EMISSOR: O que é que mais o motiva numa caminhada tão longa como é a de ir a Fátima a pé?

PM: São duas coisas: é a fé e as pessoas. Porque a gente vive o sofrimento delas, às vezes por uma palavra amiga, por uma ajuda, perguntar o porquê de estar ali, porque há sempre ali o espírito.

EMISSOR: Quando vai a Fátima a pé, costuma ir em grupo ou também já foi sozinho?

PM: Vou sempre em grupo, nunca fui sozinho. Mas caminho muitas vezes sozinho, embora vá em grupo, mas caminho muitos quilómetros sozinho.

Direitos Reservados

EMISSOR: Qual foi um dos melhores momentos que viveu nas várias peregrinações que fez a Fátima?

PM: Eu tenho muitos, mas um dos melhores momentos foi quando vi uma pessoa que ia descalça a Fátima a pé, e eu achei um bocado estranho, nunca tinha visto aquilo. O sofrimento da pessoa que ia descalça. E eu perguntei o porquê de ir descalça, e a pessoa tinha-me dito que nunca se diz porque é que se promete, só mesmo depois da promessa é que se pode revelar o porquê de estar ali descalça.

Depois perguntei-lhe, “mas não lhe dói ir a pé? O alcatrão estar quente, das pedras que encontra pelo caminho…” e essa pessoa disse-me “você não sabe que quando uma pessoa tem fé, essa fé move montanhas? Tira-nos a dor, tira-nos tudo… e é o porquê de eu conseguir fazer a caminhada até Fátima”.

Foi uma das coisas que mais me marcou até hoje.

EMISSOR: Já teve alguma situação mais complicada que passou durante alguma das suas peregrinações?

PM: Tive várias. Tive coisas complicadas. As pessoas querem desistir, porque não conseguiam, porque não aguentavam. E a gente tenta ajudar as pessoas ao máximo para elas não desistirem. E às vezes dói, claro que dói a toda a gente. Não é fácil ir a Fátima a pé, devido à preparação, ao calçado que usam, não vão muito bem preparadas.

Aquilo que a gente diz às pessoas é que é “já ali”, dizemos “ande mais um bocadinho, que é já ali”. E às vezes até faltam 200 quilómetros, mas a gente diz que é já ali. E a pessoa vai com aquela motivação do ser “já ali” e continuam a caminhar mais um bocadinho e mais um bocadinho e acabam aquela etapa.

Depois descansa, dorme e ao outro dia já está preparada. E já está melhor um bocadinho. E às vezes chega a Fátima. E a gente dá essa motivação. É bom ver isso, ver as pessoas que com fé, com grande dor, mesmo com muita dor, conseguem chegar. Isso é o que me motiva e que me marca.

Direitos Reservados

EMISSOR: Sempre teve todos os apoios que necessitava ao longo das caminhadas que fez?

PM: Sim. Ao nível da cruz vermelha, as corporações dos bombeiros que põe tendas para alojar os peregrinos, ao nível militar. Mas acho que devia de haver muito mais, pelo menos ao nível da GNR, porque dão pouco apoio.

Há uma estrada muito perigosa, e as pessoas têm caminhos alternativos já mercados, e não querem ir porque é um caminho mais duro, é um caminho mais longo, e as pessoas teimam em ir pela IC2.

É uma estrada muito perigosa devido aos camionistas, e há pessoas que não respeitam, e sempre de gás, sempre a andar e aí acho que deveria de haver mais apoio por parte da GNR ou da brigada de trânsito.

Direitos Reservados

EMISSOR: Normalmente, quantos dias leva para realizar a sua peregrinação a Fátima?

PM: Sete dias. Embora a gente faça uma peregrinação antes, que é de Felgueiras até ao Porto e depois do Porto para lá demora 6 dias.

“É uma questão de fé e ajudar as pessoas”

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