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EntrevistaMovimento “Juntos por Paredes” avança a necessidade de mudança no concelho

Movimento “Juntos por Paredes” avança a necessidade de mudança no concelho

Manuel Pinho é candidato pelo Juntos por Paredes à Câmara Municipal de Paredes. O candidato avançou algumas soluções para problemas existentes no concelho há décadas, como é o caso da poluição do Rio Ferreira, da mobilidade e transportes em Paredes, bem como da gestão das águas.

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Em 2018, Manuel Pinho criou o Movimento “Juntos por Paredes” e, este ano, candidata-se à Câmara Municipal de Paredes com o alicerce de dois partidos, o “Nós, Cidadãos!” e o Aliança. O candidato diz ter criado o Movimento Juntos por Paredes com o intuito de “dar voz a todos aqueles que não se reveem nos velhos partidos e que lutam por uma gestão transparente no município”.

Ao EMISSOR, O candidato acredita ser necessário “mudar” e refere que fará de tudo para que “a equidade e os valores democráticos sejam novamente restituídos no concelho de Paredes”.

EMISSOR: Qual o seu posicionamento face aos demais partidos?

Manuel Pinho: A minha candidatura é uma candidatura diferenciadora em relação ao normal nas eleições em Paredes. Paredes tem tido candidaturas fortes partidárias, do PSD e do PS, que neste momento está no poder e a nossa candidatura é uma candidatura de cariz independente.

A origem desta candidatura é o nosso movimento, que foi criado por mim há três anos. O “Movimento Juntos por Paredes” corresponde a uma nova orientação de cidadania, a procura pelo bem comum.

Considero que os partidos políticos, ao longo destes 40 e poucos anos de democracia, se afastaram da sua principal prioridade, que é o bem comum, ajudar os cidadãos e não propriamente os interesses coletivos ou pessoais que possam existir.

Julgo que o “Juntos por Paredes” e, neste caso, ambos os partidos que aceitaram, também, apoiar a nossa candidatura, irão fazer história no concelho de Paredes colocando, pela primeira vez, o poder dos cidadãos na Assembleia Municipal e na Câmara Municipal.

EMISSOR: Quais as principais mudanças que o movimento “Juntos por Paredes” pretende trazer para o concelho?

Manuel Pinho: Acima de tudo nós queremos aproximar os cidadãos da política. Queremos abrir uma porta, uma janela, de maneira que as autarquias não sejam algo difícil de alcançar pelas pessoas.

Eu, quando for presidente da Câmara, realmente vou auferir um ordenado, mas esse ordenado é tão importante como qualquer ordenado que se possa receber para ajudarmos as pessoas e para isso temos que estar próximos delas.

De uma vez por todas temos que fazer com que as pessoas acreditem nos decisores políticos. Paredes precisa muito disso. Na minha opinião, Paredes também precisa de uma nova identidade, precisa de se voltar a reaproximar do ser paredense. Reaproximar nos valores culturais, nos valores de união numa palavra que eu gosto muito que é “convergência”, que temos todos que ter e, para isso, temos que colidir com objetivos que são comuns. Percebendo que há diferenças nos territórios, percebendo que há diferenças entre as freguesias, mas temos que unir aquilo que nos une e fazer com que não possam existir paredenses de primeira, de segunda e de terceira.

Para isso, um dos grandes objetivos do “Juntos por Paredes” é mudar a gestão autárquica. Tornar uma gestão mais eficiente, onde as decisões técnicas tenham uma maior preponderância do que propriamente as decisões políticas. Portanto, também é preciso que os cidadãos não tenham receio de falar com os autarcas, falar com os técnicos. Temos que aproximar, cada vez mais, os decisores à Câmara Municipal e às Juntas de Freguesia.

Também queremos mudar a transparência, essa proximidade com os cidadãos também só acontece se houver transparência. Para isso, nós pretendemos que as reuniões de Câmara e as reuniões de Freguesias sejam públicas e também sejam colocadas online, nas páginas do Facebook, ou nas de internet que já existem. Isso é importante, para que os cidadãos possam participar.

Direitos Reservados

Muitas vezes (os cidadãos) não se podem deslocar e não podem participar. A transparência, também, nos próprios documentos. É importante que os documentos, cada vez mais, sejam possíveis de ser auditados por todos, os ajustes diretos não tragam aquelas dúvidas que existem atualmente, as consultas previas não sejam mero condutor para que alguém ganhe a respetiva consulta. Isso só é possível se o autarca, ou os autarcas, mudarem o paradigma da sua governação e escancararem a porta para que as pessoas, antes propriamente de criticar, ou podendo até criticar, que critiquem, mas de forma construtiva. Podendo ver, podendo analisar e podendo criar um balanço efetivo da governação.

Depois, temos os nossos pilares em que assenta a nossa candidatura: a coesão económica e social, que envolve um pouco a cultura, a habitação social, envolve a própria economia, envolve a educação, envolve os vários setores que criam, que fazem evoluir ou não o concelho e o seu desenvolvimento económico e social.

Um outro ponto que considero essencial e que tem sido esquecido é a mobilidade. Pretendemos que o concelho de Paredes seja um concelho equiparado aos demais concelhos da Europa. Queremos que se crie um plano de mobilidade sustentável para o concelho de Paredes e, por último, e muito preocupante, o ambiente.

Infelizmente, Paredes em pleno século XXI tem problemas graves. A falta de saneamento e os problemas de acesso à água de qualidade, são problemas que não deveriam existir num concelho como o nosso, que é o 29º concelho, a nível de território, maior do país e pertencente à área metropolitana do Porto.

Nós temos que mudar o paradigma da governação, queremos trabalhar com os técnicos da Câmara, valorizá-los. Não vai haver cores comigo enquanto presidente da Câmara. Não vou encostar ninguém. Eu tenho a certeza absoluta que vamos, certamente, conseguir fazer uma gestão mais eficiente, com menos dinheiro, e com o custo/benefício tanto dos investimentos como das nossas medidas vão ser para o bem comum de todos os paredenses.

EMISSOR: Considera que o facto de trazer um novo movimento para Paredes trará, também, uma visão diferente daquela a que os paredenses estão acostumados?

Manuel Pinho: Sim. Há uma coisa logo de diferente. Quando for autarca vou precisar dos motoristas, mas vou precisar para outros fins. Não para levar o autarca ao local A ou ao local B. Vou dispensar o veículo. Por si só isso já é uma mudança. Porque eu acho que a nossa governação tem que se aproximar mesmo às pessoas.

Os paredenses fazem parte desta grande mudança. Eu vou ter que os ouvir. Para isso, eu tenho que sentir que eles acreditam neste projeto de cidadania, que também depende deles. Quando ouvimos falar da governação que existe dos partidos, ela está muito musculada daquilo que vem da parte do Governo Central ou da parte das Linhas Mestras que os Partidos têm.

Num projeto de cidadania não. Por isso é que muitos movimentos independentes, que hoje são autarcas, conseguem que os munícipes delas surpreendam pela positiva: no planeamento, ao olhar para o concelho com as suas desigualdades e procurar potencia-las, aproximando-as ao resto do território que, se calhar, não as tem e é isso que eu pretendo.

Nós temos que aproximar estas pessoas e deixar um bocadinho o egoísmo de lado. O Município tem que olhar para os paredenses, no seu todo, de forma equitativa e isso tem que se notar no discurso. O que eu disser, nesta campanha, é para concretizar. Não podemos ser demagógicos. Nós podemos dizer que temos uma ideia para o concelho que até pode ser uma visão, mas se não temos a certeza que a concretizamos temos que referir que é apenas e só isso.

EMISSOR: Considera que, ao longo da sua vida, obteve a experiência necessária para enfrentar o desafio que é ser presidente de Câmara?

Manuel Pinho: Felizmente passei perto de 20 anos na Comunicação Social e fui diretor de muitos projetos de comunicação social nacional, regional e até internacional e isso é uma escola para nós.

E confesso que, tendo em conta que tive uma empresa de comunicação, tive que gerir, muitas das vezes a atividade política, marketing político e felizmente, também, eu soube dentro da minha profissão, procurei sempre perceber o que estava por detrás da gestão de uma autarquia e, neste caso, da gestão governativa. Isso deu-me realmente alicerces muito sólidos para poder dizer que neste momento os candidatos que se conhece, na minha opinião, e tenho confiança para o dizer, sou neste momento a melhor opção para presidente de Câmara do concelho de Paredes.

Sinto-me muito à vontade nos dossiers, conheço o território, preocupei-me cada vez mais em alimentar-me daquilo que se deve fazer e como se deve fazer. Não vai haver, no Juntos por Paredes engodos, nem demagogias, nem populismos. Há a confiança que vamos ter o melhor programa eleitoral e que vamos ter o melhor candidato à presidência da Câmara, que sou eu.

EMISSOR: Enquanto paredense, o que considera estar em falta no concelho de Paredes?

EMISSOR: Quais as ideologias que o movimento “Juntos por Paredes” defende?

Manuel Pinho: Um projeto cidadania é um projeto ao centro. Não vincula uma ideologia. Agora vou falar de mim, a minha ideologia. A minha posição perante o Estado é um centro de direita, mas mais centro. Eu não posso esquecer a vertente social porque acho que é muito importante, mas também considero, para um bom desenvolvimento económico, alguém tem que pagar a parte social no nosso país, que é necessária e é importante que as nossas empresas, o setor privado, seja uma alavanca para o desenvolvimento do território e que dê possibilidade de evolução económica, tanto para as pessoas, como para o país, como para o concelho de Paredes.

Mas um projeto de cidadania é muito centro, é um projeto virado para o bem comum, nesse aspeto coloca-se num posicionamento do centro. O “Juntos por Paredes” aqui está aberto a todas porque no fundo, muitas das vezes pega-se na ideologia e acho que cada vez mais está em desuso a própria ideologia porque a ideia aqui é: eu posso ter alguém que gosta do papel do Estado com um posicionamento mais forte, mas esse posicionamento mais forte do papel do Estado também tem a ver com a sua própria profissão, daquilo que faz, daquilo que vive. Não conhece a realidade do privado.

Esse conhecimento acaba por afastar essa convergência ideológica. Portanto, é muito fácil quem está no setor público defender, como quem está no setor privado, sentir-se prejudicado ou beneficiado por determinadas situações. Mas nunca ninguém conseguiu procurar ambos os setores. Procurem-se convergir. E é por isso que eu digo… às vezes essas ideologias, mesmo nos extremos, acabam por prejudicar o desenvolvimento de um país no seu todo.

EMISSOR: Relativamente à rede de transportes existente no concelho de Paredes, considera que ela é satisfatória para as necessidades da população?

Manuel Pinho: É um dos grandes problemas que o concelho tem. É um concelho que está bem localizado, que ao nível dos comboios, tanto o centro do concelho como o sul do concelho, têm uma boa rede de transportes, aproveitando até a nova dinâmica do andante e tudo. Mas muitas freguesias do norte do concelho, acabam por estar muito aquém das necessidades que temos atualmente. Nós temos graves problemas: Rebordosa, Gandra, Lordelo, Vilela, … Todas estas freguesias estão com grandes problemas de mobilidade.

Direitos Reservados

Soluções, que é isso que devemos apontar. Primeiro de tudo, acho que é importante bater o pé, já que estamos na área metropolitana do Porto, acho que se for o próximo presidente da Câmara, quero entrar no STCP, acho que é crucial entrar no STCP. Para isso, vai ter que existir um investimento por parte da autarquia e temos que entrar da mesma forma como está a entrar Valongo: de uma forma cuidadosa, mas que nos dê garantias de termos já benefícios ao nível de serviços e também garantias do crescimento da área metropolitana do Porto para Paredes.

Não faz sentido que o STCP chegue à rotunda e não entre em Gandra, não faz sentido. Tendo em conta que temos ali um Polo Universitário, um polo que tem estudantes de todo o país, até eles devem achar ridículo esta situação. Sei que houve um esforço de juntar o andante aqui para a zona norte do concelho, para Rebordosa, para Lordelo, juntar todas estas operadoras, a Valpi, a Pacense, … e criar aqui um projeto comum, onde o concelho pudesse aproveitar esta rede de transportes.

Eu acho muito interessante essa ideia, até porque eu sou a favor da linha do Vale do Sousa e Tâmega, mas também sou muito crítico para a forma como olham para este território. Esta zona, e isso vê-se pala IC35, é um território que precisa urgentemente de investimento e o investimento de 80 milhões de euros é um investimento pequeno e o projeto da IC35 ficou pendurado durante 30 anos e agora, parece quase uma esmola, que o plano de resiliência vai dar para resolver esse problema.

Por isso é que eu não acredito muito nesta linha… Acredito nela, na potencialidade que ela terá para toda esta região enquanto uma mais valia para o seu desenvolvimento, para toda a região não só Paredes mas, infelizmente, o Governo Central é muito de alguém numa secretária em Lisboa que olha para este território como sendo uma zona cinzenta. Nem litoral, nem área metropolitana, nem interior. E, como tal, não vamos buscar valores para a baixa densidade, projetos de baixa densidade e o fundo para a Grande área Metropolitana do Porto e acaba por não ser envolvido o concelho de Paredes e outros.

Na minha opinião é importante a linha do Vale do Sousa e Tâmega, mas tendo em conta que será um projeto para muitos anos, ainda está em estudos. Só de bolos e de champanhe, já tem estudos até dizer chega. Mas espero que seja uma realidade no futuro. Mas até lá é preciso desenvolvimento económico.

EMISSOR: O movimento “Juntos por Paredes” é a favor da remunicipalização da rede das águas no concelho?

Manuel Pinho: Eu sou a favor da municipalização, mas não sou a favor do resgate que este executivo está a fazer. Eu sou a favor de cumprirmos os contratos que foram realizados no passado e que por motivos eleitorais foram empurrados com a barriga para não se perder votos. As subconcessões, na minha opinião, deveriam ter sido já entregues, respeitando a história das cooperativas. Valorizando aquilo que os nossos antepassados fizeram para ter aquele bem comum, mas assumidamente os contratos são para cumprir. Ao entregar uma concessão, não estamos a entregar um bem. O bem continua a ser nosso. Só estamos realmente a cumprir algo que por motivos, na altura, naturais e não foi só Paredes que fez esta solução. Foram várias as autarquias que optaram pela entrega a concessões das águas e saneamento.

No país todo, a maioria optou por esta solução, porque a realidade na altura era uma das opções mais viável e nós temos que perceber isso no quadro da história. Mas, infelizmente, quem fez isso omitiu à “Be Water”, a uma empresa que havia ali cooperativas e algumas situações que faziam parte dessa concessão e que nunca foram entregues.

A “Be Water” nunca teve o seu contrato na plenitude. O que é que vamos fazer? Na minha opinião, nós temos que fazer cumprir o contrato. As subconcessões têm que ser entregues. Também temos que, com isso, fazer uma renegociação com a “Be Water”, caso a caso, com as cooperativas. Eu prefiro compensar as cooperativas do que compensar, algum dia, uma empresa privada. Eu quero ter água de qualidade e quero ter saneamento básico no concelho todo.

O resgate, o que vai acontecer, todos vão pagar um valor a uma empresa privada. Estamos a falar de um valor que nunca será os 20 e tal milhões de euros. Se fosse só isso, estava bem, concordava. Mas não, será muito mais. E vamos ter que ainda pagar o investimento na respetiva água e saneamento. Quer dizer, além daquilo que vamos ter que pagar de indeminização à “Be Water”… Isto é uma loucura! Isto é hipotecar o futuro do concelho.

Na minha opinião, é fazer com que a “Be Water” em cinco ou seis anos faça o investimento no concelho. Vamos ter que dizer às pessoas que aquilo que Alexandre Almeida não fez e no início do mandato referiu que ia fazer. Vamos ter que fazer com que as pessoas liguem os seus ramais, que são gratuitos e a Câmara vai ter que pagar a parte que lhe compete na ligação dos ramais. Vamos ter que fazer campanhas de sensibilização, porque é obrigatório por lei a ligação da água, nunca o vi na Câmara de Paredes e que, se calhar, não o faz porque perde-se votos com isso.

Curioso! Alexandre Almeida diz que só é possível fazer investimento no sul do concelho com fundos comunitários se efetuar o resgate e é mentira. Prova disso é a ETAR de Campo (Valongo), obra da responsabilidade da “Be Water”, e foi com fundos comunitários com a Câmara de Valongo. Portanto é possível.

EMISSOR: Ao nível formativo, considera que a resposta dada pelo concelho de Paredes vai de encontro às escolas dos alunos? Existe uma oferta diversificada nas freguesias do concelho?

EMISSOR: Qual a sua opinião sobre a gestão do atual autarca de Paredes face à Covid-19?

Manuel Pinho: Considero que desde o início nunca foi a prioridade de Alexandre Almeida. Nunca percebeu que a pandemia poderia ser uma oportunidade para demonstrar a sua capacidade para ajudar os paredenses, num momento tão difícil.

Acho que nunca foi proativo desde as máscaras, foi uma Câmara que não ofereceu as máscaras, colocando-as numa situação um bocadinho estranha em que as pessoas tinham que as comprar diretamente nos Bombeiros.

Desde as máscaras até às medidas da testagem. Pedi várias vezes nas reuniões de Câmara e nunca o fez, nunca deu como prioridade essa medida e essa medida é importante, porque essa medida podia ter acautelado a segunda vaga aqui no concelho de Paredes.

Em novembro, quando se podia fazer testagem massiva, não se fez e tinha-se essa possibilidade e evitado muitos dos surtos que aconteceram ali em Paredes, que tem uma indústria muito grande, que tem situações muito potenciadoras de surtos. E a testagem, além da vacinação, além do confinamento são as únicas formas de podermos controlar esta pandemia e Alexandre Almeida no confinamento foi obrigado a isso. Na vacinação faz um show off como se fosse a Câmara a responsável por isso, que não é verdade, nós estamos condicionados ao Governo Central e à DGS. Mas a testagem sim, podia ter existido aqui uma proatividade do autarca, acautelando a segunda e a última paragem do concelho de Paredes durante cerca de três semanas, é tudo por culpa deste executivo, que olhou mais a obras, a enviar revistas para as pessoas a dizer o que fez, o que não fez e o que está interessado em fazer. Desvalorizando completamente aquilo que os paredenses mais precisavam.

Eram medidas de apoio social, medidas de apoio económico e acima de tudo, e mais importante que isso, medidas para conter a pandemia.

EMISSOR: No que diz respeito à ETAR de Paços de Ferreira que tem vindo a poluir o Rio Ferreira, qual considera ser o problema existente face à poluição que a ETAR está a trazer para o concelho de Paredes e qual a solução que propõe?

Manuel Pinho: O que acontece na ETAR de Paços de Ferreira é gravíssimo, é um problema ambiental. Já acontece há muitos anos, há mais de 20 anos. É uma luta dos autarcas e de Lordelo e de Paredes, mas infelizmente as descargas de lamas para o Rio Ferreira têm sido contantes e temos uma má notícia: esta ETAR ainda não é uma solução, o que me assusta.

Estamos a falar de um investimento de mais de cinco milhões de euros, assusta-nos a todos.

A solução que propomos. Primeiro de tudo é percebermos a história e não nos esquecermos do que aconteceu. Assumirmos que há responsáveis. Saiu agora um valor de 1,8 milhões de euros para a regeneração da fauna do Rio Ferreira, mas na verdade só valerá a pena gastar um cêntimo que seja se o problema estiver resolvido, se não é deitar dinheiro fora.

Não podemos ficar com esta prenda do Governo Central, uma prenda que o Governo Socialista votou contra, porque isto foi uma moção colocada pelo PSD. O partido desde executivo de Paredes votou contra, por isso acho estranho que o Francisco Leal ande a pavonear-se nas revistas e nos jornais quando na verdade este vereador do ambiente foi passivo e inerte durante todo este mandato. Nunca valorizou a sua terra, que é Lordelo. Houve manifestações e nunca o vi em manifestações, nunca o vi em parte ativa, nada…

A única coisa que aconteceu, e estou à espera que ele me responda, e é por isso que falei das responsabilidades, porque sei que a Câmara de Paredes intentou um processo em 2017 contra a Câmara Municipal de Paços de Ferreira e eu espero, os paredenses esperam, os lordelenses esperam, que este executivo esteja a olhar pelos interesses de todos os nossos concidadãos e por aqueles que foram prejudicados. Muitos deles tiveram que sair de Lordelo e foram viver para outro lado porque não aguentavam este problema. E muitos deles tiveram problemas de saúde com isso. Fora os problemas que todos nós temos por não aproveitar um parque, que é um dos maiores parques que existe no distrito do Porto. E não o podemos aproveitar porque temos um rio, aquele que devia ser o nosso maior ativo, estamos com ele com porcaria, com lamas.

Tem que haver responsáveis e eu acredito e espero que Francisco Leal, numa pergunta que lhe fiz, e não soube responder, deu aquelas respostas redondas de político medíocre. Espero que realmente a Câmara esteja a olhar pelos nossos interesses. A Câmara de Paços de Ferreira vai ter que pagar aqui uma fatura pelo que aconteceu. E espero que isso aconteça.

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Sobre a solução. Já percebemos que a ETAR não está a funcionar. Espero que a ETAR, com o valor que foi investido, funcione bem e que água tratada pela respetiva ETAR possa até ser bebida pelo técnico responsável, porque é essa a prova que ela vai estar a funcionar bem. Ainda estamos à espera disso. Se ainda não aconteceu é porque ela não está a funcionar bem. Isso não está a acontecer e não vai acontecer, infelizmente.

Acreditando que será sempre um condicionalismo para o futuro porque percebendo o que acontece na ETAR de Paço de Sousa e percebendo que os socialistas não sabem fazer ETAR’s em condições, estamos sujeitos a que realmente qualquer ativo que tenhamos no futuro possa ter as lamas da ETAR.

A solução. Colocarmos um tubo ou optarmos por uma forma que passe as lamas por uma parte de Lordelo e que desaguem noutro lugar, estamos a empurrar o problema para a frente. Mas depende também do que se vai criar de infraestruturas para aproveitar o rio. E pelo que eu sei, o Presidente da Freguesia de Lordelo, Nuno Serra, vai querer aproveitar aquilo para uma praia fluvial e não podemos ter uma praia fluvial sujeita a receber as lamas de um momento para o outro.

Portanto, espero que o Governo Central crie aqui uma solução que faz parte do Governo Central, de maneira a que seja possível a praia fluvial e que, de uma vez por todas, os lordelenses tenham aquele ativo que é uma das maiores riquezas que Lordelo tem.

Eu, enquanto autarca, vou ter que me impor para que o Governo Central crie uma solução para que Lordelo não padeça mais e o concelho de Paredes não padeça mais com este problema. Já chega!

EMISSOR: No que diz respeito à comunidade cigana que vive no centro de Paredes, quais as soluções que propõe?

Manuel Pinho: Temos que ter medidas que sejam concretizáveis. Uma das coisas é a comunidade cigana e daquilo que já foi realizado por parte do primeiro direito e aprovado por parte deste autarca.

Ao contrário do PSD e do CDS eu posso discutir o valor dos prédios, podemos discutir o local, mas nunca podemos discutir a oportunidade. Eu não quero colocar aquele problema para o futuro. Tem que ser resolvido. Independentemente que seja A, B, C ou D. Neste caso foi Alexandre Almeida, que aproveitou um programa do primeiro direito, e vai resolver aquela situação.

Se algum outro candidato tem um local, ou valores mais baixos, que o digam, mas têm que os apresentar de uma forma correta e coerente de maneira que seja uma proposta concretizável. Se não tem é demagogia. Eu, enquanto presidente de Câmara não vou fazer demagogia. O que vai acontecer é que realmente vamos aproveitar este programa, o primeiro direito, e vamos olhar para esta comunidade como qualquer outro cidadão. Eu considero que, na nossa constituição o direito à habitação é um direito fundamental e não temos que estar aqui a discriminar pessoas. No local, já tem lá um bairro social. Não acredito que o PSD e o CDS vão querer que as pessoas peguem nas malas e vão embora. Aquilo vai continuar a ser um bairro social e, como tal, aquela comunidade já está lá há muitos anos, temos é que tirar aquele problema, que também é de saúde pública, da nossa cidade, do centro do nosso concelho.

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EMISSOR: Ao nível cultural, o que considera ser importante trabalhar no setor cultural em Paredes?

Manuel Pinho: Prova de que o último executivo anda refém daquilo que tem fundos comunitários é o auditório e o fórum cultural. Paredes, de momento, está a fazer um investimento na área da cultura, mas não há um trabalho de base para ocupar estes equipamentos.

Neste momento há apoios de fundos comunitários, neste fecho de quadro comunitário, para a área da cultura. O pavilhão municipal que, supostamente, é um pavilhão desportivo, foi aprovado para um projeto que se irá chamar “Fórum Cultural”, que tem 90% de ocupação desse mesmo pavilhão na área cultural.

Quer dizer, em 365 dias, 30 e poucos dias é que vão ser para desporto. Tendo equipamentos de desporto. Será difícil convencer os clubes que aquilo vai ser uma opção para eles, para o seu dia a dia… não é!

Existe o auditório municipal, é só por causa das eleições, para termos obra, e como há fundos comunitários para a área da cultura vai-se lá buscar dois milhões e tal, mas falta-nos tudo. Falta-nos uma casa para o conservatório de música, que não vai ser o auditório municipal, porque não tem condições. Falta uma companhia de teatro profissional que possa fazer um desenvolvimento da área cultural. E falta, também, literacia cultural no concelho.

Se nós temos um auditório pequeno, que é o da Casa da Cultura e não o conseguimos encher. O caminho que temos de fazer é aquele que nos vai permitir que o auditório municipal seja uma referência.

Este executivo preocupou-se em fazer as coisas de acordo com os fundos comunitários, não planeando, não tendo algo estruturado para aproveitar estes equipamentos.

EMISSOR: Qual a mensagem que gostaria de deixar aos paredenses pelo movimento “Juntos por Paredes”?

Manuel Pinho: Paredenses, estas eleições autárquicas são muito importantes. O futuro do nosso concelho, o futuro de todos nós depende da sua ajuda e da sua colaboração no nosso projeto de cidadania. O movimento que eu encabeço, pretende fazer história no concelho. Nós, ao contrário dos outros candidatos não vamos ser demagogos. Não vamos fazer tudo por tudo só para ter o seu voto, esquecendo que o mais importante, que é o ajudar a si, não é o essencial.

Eu quero que faça parte do nosso projeto e que a transparência, a equidade e os valores democráticos sejam novamente restituídos no concelho de Paredes.

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