Votação dividida expõe novos equilíbrios políticos; caso do Chega gera polémica.
A tomada de posse dos novos órgãos autárquicos para o mandato de 2025-2029, realizada a 5 de outubro, revelou um novo equilíbrio político no concelho de Paços de Ferreira, que poderá tornar mais complexa a gestão municipal nos próximos anos.
Segundo dados divulgados pela Lusa, o Partido Socialista (PS) conquistou 17.505 votos (50,22 %) nas eleições para a Câmara Municipal, assegurando quatro mandatos e a continuidade no executivo. Contudo, no que respeita à Assembleia Municipal, o panorama foi diferente: a coligação “Mais – PPD/PSD + CDS-PP” obteve a maioria dos mandatos, invertendo o domínio socialista neste órgão.
De acordo com a Administração Interna, foram contabilizados 34.860 votos válidos no concelho. A lista socialista à Assembleia Municipal somou 15.540 votos, enquanto a coligação Mais atingiu 12.955 votos. O partido Chega, com 3.051 votos, garantiu também representação parlamentar local.
Após a divulgação dos resultados, alguns meios de comunicação enfatizaram a ideia de “continuidade” na governação pacense, porém a realidade política revelou-se bem diferente. Embora o PS tenha assegurado a liderança da Câmara Municipal, não conseguiu eleger o seu candidato, Miguel Costa, para a presidência da Assembleia Municipal, sofrendo assim a sua primeira grande derrota política do mandato. O cargo acabou por ser conquistado por António Coelho, confirmando a força da coligação Mais (PPD/PSD + CDS-PP) neste órgão e evidenciando a fragmentação do poder político em Paços de Ferreira.
Durante a votação para a eleição da presidência da Assembleia Municipal, registou-se um facto politicamente relevante: um dos elementos eleitos pelo Chega votou ao lado do Partido Socialista, contrariando a orientação do partido e surpreendendo os restantes membros da Assembleia. O episódio provocou reações e levantou dúvidas sobre a disciplina interna da estrutura local do CHEGA.
A Câmara, liderada pelo PS, terá agora que dialogar com uma Assembleia dominada pela coligação Mais PSD-CDS-PP para garantir a aprovação das principais propostas.
A entrada do CHEGA como terceira força política reforça a exigência de consensos mais amplos no debate político local. Na sequência desta votação, o Emissor contactou o coordenador do CHEGA em Paços de Ferreira e candidato à Câmara Municipal, Rui Sousa, para obter esclarecimentos sobre o sucedido.
Na mensagem enviada, foram colocadas sete questões sobre a reação do núcleo local, a eventual quebra de disciplina partidária, a possibilidade de sanções internas e o impacto do caso na imagem e coesão do partido no concelho.
Rui Sousa, confirmou que a situação “já se encontra a ser acompanhada pelo CHEGA nacional”, mas referiu que “ainda não existe qualquer feedback concreto”. Garantiu, no entanto, que o Emissor seria “o jornal a quem o núcleo local daria resposta oficial”. Apesar dessa indicação, até ao momento da publicação desta notícia não foi recebida qualquer resposta formal. O prolongado silêncio do núcleo do CHEGA local segue um padrão de reserva comunicacional que outros partidos também têm adotado em situações internas semelhantes.
O Emissor mantém-se disponível para publicar, integralmente, o esclarecimento do CHEGA de Paços de Ferreira ou de qualquer instância nacional do partido assim que este seja remetido.
A coligação MAIS PPD/PSD-CDSPP celebrou a vitória da eleição do novo presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira, António Coelho, destacando nas redes sociais que “a maioria na Assembleia Municipal é sinal de confiança renovada dos pacenses”. Já o PS garantiu que a vitória na Câmara Municipal permitirá dar continuidade ao trabalho que vinha a ser desenvolvido.
Analistas locais sublinham que a nova composição do órgão deliberativo e o comportamento divergente de um eleito do CHEGA poderá tornar as futuras votações mais imprevisíveis.




