A inflação em Portugal voltou a abrandar em outubro, com o Índice de Preços no Consumidor (IPC) a registar uma variação homóloga de 2,3 %, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Este valor representa uma ligeira descida face aos 2,4 % registados em setembro, segundo a síntese publicada pelo Idealista.
O indicador de inflação subjacente, que exclui produtos alimentares não transformados e bens energéticos, aumentou para 2,1 % em outubro, acima dos 2,0 % observados em setembro. Os produtos energéticos registaram uma variação homóloga de –1,2 %, revertendo o comportamento de setembro, mês em que tinham apresentado uma subida de 0,3 %. No segmento dos alimentos não processados, verificou-se um crescimento de 6,1 %, abaixo dos 7,0 % registados no mês anterior.
Este abrandamento da inflação homóloga, acompanhado de uma evolução mais moderada nos preços da energia e de alguns bens essenciais, constitui um possível alívio para as famílias, sobretudo para os agregados com rendimentos fixos ou maior vulnerabilidade financeira. A redução da pressão sobre bens essenciais pode contribuir para estabilizar o custo de vida no curto prazo, ainda que o aumento da inflação subjacente revele que persistem tensões nos preços de bens e serviços menos dependentes de fatores externos.
Do ponto de vista macroeconómico, os números de outubro reforçam a trajetória de desaceleração que se tem vindo a observar ao longo dos últimos meses, após períodos de maior volatilidade. Esta evolução aproxima o país de níveis de inflação considerados mais consistentes com um quadro económico estável, podendo influenciar futuras decisões relacionadas com salários, pensões, prestações sociais e políticas de apoio ao consumo.
Apesar do movimento descendente da inflação geral, analistas e entidades económicas alertam que a evolução dos preços continuará a depender de fatores como os mercados energéticos, a disponibilidade de matérias-primas e o comportamento dos produtos alimentares frescos. As próximas leituras do IPC serão, por isso, fundamentais para perceber se a tendência de moderação se consolida e de que forma poderá afetar o poder de compra dos consumidores ao longo de 2026.




