OpiniãoPaços de Ferreira a capital do móvel e das promessas desmontáveis

Paços de Ferreira a capital do móvel e das promessas desmontáveis

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Em Paços de Ferreira habituámo nos a ouvir que somos a “Capital do Móvel”. Mas talvez esteja na altura de atualizar o slogan somos também a capital das promessas desmontáveis daquelas que vêm com manual complicado peças em falta e que nunca ficam bem montadas.

Nos últimos meses assistimos a uma autêntica maratona política local com novas lideranças partidárias canais para ouvir a população e iniciativas com nomes simpáticos como “A Tua Voz Conta” ou “À Conversa com o Presidente”. Tudo muito participativo no papel.

Na prática o cidadão comum continua a fazer o mesmo que sempre fez falar e esperar. Esperar por obras por respostas por soluções. Esperar basicamente que alguém atenda o telefone da tal proximidade.

E depois há o clássico visitas às freguesias para identificar necessidades. Isto é fascinante. Em 2026 ainda andamos a identificar necessidades. Como se estradas degradadas falta de infraestruturas ou problemas de mobilidade fossem uma descoberta recente como se alguém dissesse afinal as pessoas precisam de estradas sem buracos.

Mas não sejamos injustos há obra. Há sempre obra anunciada. Centros de saúde habitação acessível projetos financiados. O problema não é a falta de planos. É o excesso deles. Em Paços parece que cada problema tem três projetos quatro apresentações públicas e zero conclusão visível.

E enquanto discutimos cargos acusações e renúncias políticas dignas de novela com episódios que incluem disputas públicas e polémicas sobre funções acumuladas a população vai assistindo como quem vê uma série mas sem saber quando chega o final.

Entretanto no lado menos institucional continuam a surgir notícias que nos lembram outra realidade pequenos crimes situações de droga insegurança pontual. Nada que transforme Paços numa série da Netflix mas o suficiente para levantar a pergunta estamos mesmo a evoluir ou apenas a disfarçar

E aqui entra a verdadeira questão
Paços de Ferreira quer ser uma terra moderna ou uma terra bem comunicada

Porque comunicar comunicamos muito bem. Há cartazes anúncios eventos festividades que nunca falham e ainda bem. Mas modernizar implica mais do que divulgar. Implica resolver. E isso já não dá tantas fotografias.

No fundo o maior problema de Paços não é falta de ideias.
É excesso de conversa e défice de execução.

Talvez esteja na altura de trocar o lema não oficial do concelho
menos vamos fazer e mais já está feito

Até lá seguimos firmes sentados num belo sofá made in Paços à espera que alguém finalmente aperte os parafusos certos.

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