No Dia Mundial de Combate ao Bullying, a Guarda Nacional Republicana revelou ter registado 1 657 crimes em ambiente escolar este ano, dos quais 78 estão associados a dinâmicas de intimidação física e virtual. Setúbal e Porto lideram as ocorrências.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) associou-se esta terça-feira, 20 de outubro, ao Dia Mundial de Combate ao Bullying, divulgando um balanço das ocorrências registadas na sua área de responsabilidade. Durante o ano de 2026, as autoridades contabilizaram 1 657 crimes em meio escolar, entre os quais foram identificadas 78 ocorrências diretamente enquadradas em fenómenos de violência e intimidação entre pares: 72 relativas a bullying e seis a ciberbullying.
A nível geográfico, os dados revelam que o distrito de Setúbal concentrou o maior número de casos de bullying (10), seguido do Porto (9), Castelo Branco (8), Lisboa (8) e Santarém (7). No que concerne ao ciberbullying — a vertente virtual associada às redes sociais e novas tecnologias —, foram reportadas seis queixas, distribuídas por Braga (2), Setúbal (2), Porto (1) e Santarém (1).
Vazio legislativo e enquadramento criminal
A força de segurança sublinha que nem o bullying nem o ciberbullying se encontram tipificados como crimes autónomos no Código Penal português. Deste modo, os números apresentados resultam de ocorrências criminais gerais que, após análise ao modus operandi, revelam tratar-se de violência física ou psicológica reiterada em contexto de desequilíbrio de poder. Na prática, estes comportamentos traduzem-se maioritariamente em crimes de ofensas à integridade física, injúrias, ameaça e coação.
Sensibilização abrangeu mais de 67 mil jovens
Para contrariar este cenário, a GNR intensificou a vertente preventiva através das Secções de Prevenção Criminal e Policiamento Comunitário (SPC). No ano letivo de 2025/2026, a força de segurança promoveu 1 845 ações de sensibilização dedicadas à matéria, alcançando 67 117 crianças e jovens em estabelecimentos de ensino públicos e privados — um crescimento superior a 23% face ao período homólogo anterior.
Além das ações formativas, a instituição alerta famílias e educadores para sinais de alerta frequentemente silenciosos, designadamente alterações bruscas de humor, ansiedade, isolamento, queixas físicas recorrentes sem explicação clínica (como dores de cabeça ou de estômago) ou quebras de rendimento escolar.
A GNR recorda que as denúncias podem ser formalizadas diretamente junto das autoridades policiais e reforça a importância dos canais de apoio especializados, nomeadamente a Linha de Prevenção do Suicídio do SNS 24 (808 24 24 24) e o Número Europeu de Emergência (112).







