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EntrevistaComo é que as crianças com necessidades especiais enfrentaram o ensino à...

Como é que as crianças com necessidades especiais enfrentaram o ensino à distância?

Cátia Rocha, mãe de Duarte Rocha, conta que o filho não conseguia acompanhar as aulas online e que, quando colocado numa turma “normal” não aguentava 5 a 10 minutos na mesma. O EMISSOR conversou com professores vocacionados para crianças com necessidades especiais da Escola de Caíde de Rei, em Lousada, que referiram a necessidade da escola abrir portas para receber estes alunos durante o confinamento.

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“Enquanto esteve confinado e tinha atividades para fazer em casa, ele não fazia”, esta foi a resposta à questão colocada sobre a realização das atividades em casa, em tempo de confinamento, que Cátia Rocha tentava realizar em conjunto com o filho, Duarte Rocha.

Duarte Rocha tem 10 anos e sofre de autismo severo. O dia a dia, tanto para o Duarte como para a família é uma luta constante para que exista uma entreajuda e desenvolvimento. Com o encerramento das escolas face à situação pandémica provocada pelo Coronavírus, o Duarte viu-se em casa, com a mãe, em aulas online.

De acordo com Cátia Rocha “o Duarte tem falta de atenção, mas também não tem interesse em fazer nenhuma atividade”, o que torna difícil para os pais. A mãe do Duarte chegou mesmo a explicar que, durante o primeiro mês de confinamento, “a única coisa que os professores faziam era enviar ao domingo à noite a tarefa semanal e nós tínhamos que fazer e enviar o feedback”, revelando que mandou o feedback “a dizer que não conseguia”.

O autismo é um problema psiquiátrico, normalmente identificado na infância, que afeta a comunicação e capacidade de aprendizagem e adaptação de uma criança. Os autistas apresentam um desenvolvimento físico normal, contudo têm dificuldades em firmar relações sociais/afetivas, demonstrando viverem num mundo isolado.

Direitos Reservados

Neste sentido, a escola que o Duarte frequenta, a Escola de Caíde de Rei, em Lousada, abriu portas para receber os alunos com necessidades especiais.

De acordo com os professores vocacionados para alunos com necessidades especiais pertencentes à Escola de Caíde de Rei, Maria Felicidade Marinho e Miguel Branco, “devido às limitações, especificidades e necessidades destas crianças, as suas aprendizagens são, na maioria das vezes, feitas através de vivências e experiências do dia a dia, tendo como objetivo principal o desenvolvimento de competências ao nível da autonomia pessoal e social. Desta forma, podemos concluir, que as mesmas não podem ser adquiridas de forma adequada através do regime de ensino à distância”, explicam ao EMISSOR.

Em declarações ao EMISSOR, o diretor do Agrupamento Vertical de Escolas de Paços de Ferreira, Adérito Ferreira, afirma que “os procedimentos com ‘crianças que tenham necessidades especiais’ são os constantes no seu PEI (Plano Educativo Individual)”, acrescentando que “os docentes têm acesso a um plano de formação apresentado pelo CFAE que contempla um vasto leque de ações de formação, incluindo ações no âmbito da educação especial”.

 

Crianças com necessidades especiais: Dificuldades na aprendizagem

Cátia Rocha refere, enquanto mãe do Duarte, que a escola foi ao encontro das necessidades do filho “depois de irem para a escola, porque notou-se melhorias”, acrescentando que “mesmo assim, ele ainda está um bocado alterado, mas está alterado porque as rotinas são muito importantes para o Duarte. E fez-lhe bem ir para a escola”.

Quem está de acordo com a mãe do Duarte, são os professores de Educação Especial do Centro de Apoio à Aprendizagem da Escola Básica Caíde de Rei, Maria Felicidade Marinho e Miguel Branco, explicando que “o facto dos alunos terem uma rotina diária é uma mais valia para o seu desenvolvimento. O confinamento veio quebrar essa mesma rotina, limitando-os ao nível de aprendizagens, socialização, mobilidade. Bastante visíveis no início deste ano letivo 2020/2021”.

Direitos Reservados

“No ano letivo transato, o facto de tudo isto ter sido uma novidade, os pais demonstraram-se receosos em mandar os filhos para a escola, daí se justificar a sua aceitação inicial dos seus filhos fazerem as aprendizagens através de um regime de ensino à distância. Este ano letivo, tendo em consideração que os alunos tiveram a oportunidade de regressar à escola para dar continuidade às suas aprendizagens, os encarregados de educação já não se sentiram tão sobrecarregados no acompanhamento das tarefas escolares”, explicam os professores.

Cátia Rocha esclarece que “há miúdos mais autónomos que outros, mas o Duarte não é muito autónomo”, adiantando que “se (eles) não quiserem fazer, não se esforçam”. Neste sentido, a mãe do Duarte considera que, se os docentes e não docentes da escola “se emprenharem minimamente em cada aluno, eu acho que conseguem. Não quer dizer que o meu filho vá aprender a ler ou a escrever ou coisa do género. Cada caso é um caso e eu também acredito que não seja fácil”.

“Na lei, eles dizem que estão incluídos na escola, na turma e assim… Mas também acho que isso tem a ver com cada caso”, afirma Cátia Rocha, evidenciando que o Duarte não seria capaz de estar numa turma dita “normal” durante 5 ou 10 minutos.

 

Ir à escola durante o confinamento

“Além do apoio pedagógico prestados pelos docentes, foi também possível os alunos beneficiarem da continuidade dos apoios nas valências de terapia da fala, terapia ocupacional, fisioterapia e psicologia”, referem os professores, acrescentado que contaram igualmente com o apoio de duas assistentes operacionais com formação específica como uma mais valia nas atividades de vida diária, como “horas de refeições, higiene pessoal, higienização dos espaços e na execução de várias tarefas ao longo do dia”.

Apesar deste esforço estar a ser realizado, a mãe do Duarte sente a falta de um feedback por parte da escola, uma vez que sente que o filho “não evolui”, acrescentando que “não quer dizer que seja culpa da escola, se é dos professores, se é mesmo dele… eles dizem que trabalham com ele, mas nós não estamos lá diariamente a ver. Não temos o feedback do que eles estão a fazer”. Cátia Rocha considera que, desde que o filho entrou para a primária, não evoluiu quase nada, e acha que “até piorou”.

Direitos Reservados

Durante o confinamento a mãe do Duarte conclui que as maiores dificuldades passaram exatamente pelo “estar em casa”, uma vez que o Duarte “é uma criança que não se interessa por fazer nenhuma atividade específica”. Nesse sentido, a mãe conta que “não se consegue pô-lo a pintar, a desenhar, a ver televisão… e ele começa a ficar frustrado por não ter nada para fazer porque também não se interessa, e por estar preso”.

Quado confrontado com essa realidade, a mãe do Duarte conta que ele acaba por se auto agredir, fica nervoso e acaba por se tornar difícil, acreditando que “enquanto mãe, não professora, num caso destes é pior porque uma pessoa ter que fazer certas coisas e não consegue”.

Quando a escola tem que lidar com os alunos com necessidade especiais, os professores do ensino especial adiantam que é necessário “conhecer o perfil do aluno para traçar e trabalhar competências especificas nas mais diversas áreas, tendo em conta as potencialidades, dificuldades e necessidades que apresenta, cada aluno trabalha competências definidas no seu Programa educativo individual”.

Ao mesmo tempo, os professores de Educação Especial do Centro de Apoio à Aprendizagem da Escola Básica Caíde de Rei contam ainda com a articulação com “todos os intervenientes no processo educativo de cada aluno, desde logo com o professor titular da turma em que se encontra inserido e com as entidades externas que estejam envolvidas no processo educativo do aluno”.

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