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Em período pré eleitoral, após uma semana de debates numa modalidade de confrontos curtos que promovem o “sound bite”, é sabido que nem todos os temas são possíveis de ser abordados. Assim, a opção tende a recair em frases feitas e de impacto previsível, ainda que demagogas, em alguns casos, ou, então, tendem a recair nas grandes opções estratégicas que cada partido quer apresentar ao país.

No entanto, e não obstante o tema da igualdade de género estar, até agora, arredado destes debates, este problema continua a ser um dos maiores problemas da sociedade Portuguesa.

É, por isso, um assunto crucial para se trazer para debate para que possamos perceber as propostas políticas de cada partido político ou a ausência destas.
Este é um tema especialmente importante pois mostra bem as diferenças entre partidos políticos defensores da igualdade, da democracia e da coesão social e aqueles que não o são verdadeiramente.

Apesar de biologicamente haver dados que apontam para que as mulheres sejam o “sexo forte”, com maior esperança de vida, com menor probabilidade de morrerem à nascença e, também, socialmente serem o género mais bem-sucedido em Portugal, sendo as mulheres as mais qualificadas escolarmente, com mais conclusões de licenciaturas, mestrados e doutoramentos ao mesmo tempo que se veem obrigadas a desdobrar-se em vários papéis, as representações sociais que recaem sobre estas favorece a sua ancestral subalternização social.

Infelizmente, este debate continua a ser necessário porque necessário é mitigar-se a diferença entre géneros, porque as mulheres continuam a ser as mais pobres dos mais pobres, a ganharem menos perante o mesmo tipo de trabalho e quanto mais qualificadas são, maior essa diferença de género. São as mais atingidas pelo desemprego, as mais condenadas a aceitarem trabalhos parciais, com menores reformas, a ocuparem menos cargos de chefia, mais remetidas para funções de cuidadoras informais e de cuidadoras dos filhos e das tarefas domésticas. São as maiores vítimas do flagelo da violência doméstica numa relação muito desproporcional entre o número de queixas e de homens condenados e as maiores vítimas das agressões sexuais, entre outros fatores de desequilíbrio nesta relação de género.

E pasme-se, ou não, são as mais afetadas pelo COVID 19, isto em resultado do tipo de  atividades profissionais que desenvolvem, sabendo-se inclusivamente que são estas, também, as  que mais ficam retidas em casa em resultado da pandemia, uma vez que, mais uma vez a elas está destinada a tarefa de cuidar dos filhos e o acompanhamento familiar, como um todo.

Por tudo isto e por bem mais, e “por bem mais” referimo-nos às representações e práticas diárias em que as mulheres são relegadas para segundo plano e diminuídas, este deverá um dos temas centrais da campanha, tanto mais que há mais mulheres do que homens com capacidade de voto.

Estes são indicadores concretos e mensuráveis que só os partidos que defendem a supremacia de um género sobre o outro e uma sociedade desigual, podem desvalorizar, pois negar não o conseguem.

A estes dados devem corresponder políticas e propostas concretas para que se possa contrariar esta realidade.

 

Marcos Taipa Ribeiro

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