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Enquanto (muitos dos…) os políticos não interiorizarem que o velho modelo cacique de fazer política está esgotado, continuarão a comprometer a democracia e os objetivos dos seus próprios partidos, da sua pátria e das suas regiões.

Enquanto (muitos dos…) os velhos e dissimulados políticos continuarem a acreditar que manipular militantes, eleitores e até dirigentes locais é o mecanismo mais sublime e nobre de fazer política, então estarão a enveredar por um simulacro de democracia. Enquanto (muitos dos…) os tradicionais políticos, os que estão na sua maioria no poder, se convencerem que podem, até dentro da sua própria máquina partidária, privilegiar os medíocres, submissos, e até os amigos dos amigos, os carreiristas independentemente do seu mérito e capacidade para melhor servirem o país, então estarão a putrificar o sistema democrático e os valores que abstratamente defendem. Enquanto a traição mais primária e interna, que se passeia naturalmente nos partidos, e as triangulações mais perversas, emergirem, aos olhos dos dirigentes distritais e nacionais, como as mais belas, eloquentes e legitimas estratégias de poder, então, esses, estarão a corroer o seu próprio poder.

Enquanto a “perseguição cega” aos votos como fim primeiro, último e único, sem ética, valores e respeito pela própria democracia mais elementar forem fenómenos naturalizados e até sarcasticamente valorizados na subcultura político-partidária, os partidos tradicionais definharão agonizantemente.

Enquanto os partidos funcionarem numa lógica de psicopatologia de grupo, num grupo de amigos fechado, uma espécie de “clube do Bolinha”, então a implosão é o destino e o mergulhar numa realidade alternativa “psicótica” é um desígnio.

Enquanto os dirigentes das estruturas partidárias construírem, em sua volta, edificações de proteção individual, exércitos de desmunidos que encontram na política o único e último reduto de valorização social, pessoal e sustento de vida como forma de os usar para alcançarem os seus objetivos individuais, então estarão a ferir a democracia.

Enquanto a consciência ideológica e o sentimento de compromisso e de missão não estiverem presentes na motivação para a adesão e filiação partidária, a corrosão do caráter é uma questão de oportunidade.

Enquanto os “patos-bravos” e os “abutres” da ascensão social tiverem oportunidade de destaque nas máquinas partidárias para destas fazerem uso e tirarem vantagem, então a política será cada vez menos a nobre arte.

Enquanto, enquanto … esta atmosfera onírica se mantiver os populistas crescerão, alimentados, é certo, exatamente, pelos mesmos vícios dos partidos tradicionais, mas com um discurso que os nega e que vai enganando… por enquanto …

Findo isto, sejamos capazes de construir, edificar e unir forças contra a desigualdade social, a desigualdade de oportunidades, contra os modelos económicos muito preocupados com o crescimento económico, mas muito pouco com a distribuição da riqueza e com uma sociedade mais funcional, contra os discursos de ódio e práticas divisionistas, e a favor da coesão social, territorial, da liberdade e do crescimento económico sustentado.

 

Marcos Taipa Ribeiro

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