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Cidadãos pacenses são barrados à porta da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira

Miguel Costa, Presidente da Assembleia Municipal de Paços de Ferreira, sublinha a limitação de lugares tendo em conta a situação pandémica em que o país se encontra. Armanda Fernandez, Presidente da Comissão Política do PS foi barrada à entrada pela limitação, apesar de estar sempre presente nas Assembleias Municipais. Domingos Ferreira, enquanto cidadão pacense, acusa que “quando não se quer que o povo tenha voz, faz-se este tipo de artimanhas”.

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Na última quarta-feira, pelas 21h, realizou-se a Assembleia Municipal na Câmara Municipal de Paços de Ferreira. Nessa mesma Assembleia, houveram algumas indignações por parte dos cidadãos pacenses, uma vez que foram barrados à porta da Câmara Municipal de Paços de Ferreira sob a justificação de “sala cheia”.

A partir destas informações, o Jornal EMISSOR procurou conversar com o Presidente da Assembleia Municipal, Miguel Costa, que avançou que “o local onde se realizam as Assembleias Municipais têm lugares, têm uma limitação, uma lotação e foi cumprida”, esclarecendo que “o acesso ao edifício da Câmara Municipal é gerido, também, pelos seguranças, e eles têm de cumprir as normas que são impostas”.

Em declarações ao EMISSOR, Miguel Costa informou também que, na última assembleia, teve de pedir “para fecharem as portas, porque comecei a verificar que estavam pessoas a mais e as pessoas dos serviços certamente não estavam atentas. E eu até pedi para regularizarem a situação. É uma coisa normal, nada de anormal”, esclarece.

Quando questionado sobre a necessidade de realização das Assembleias Municipais noutro local para assegurar lugar aos cidadãos pacenses, Miguel Costa referiu que “as Assembleias Municipais sempre foram feitas naquele local e vão continuar a ser feitas. A não ser que exista algum impedimento de força maior”.

A partir de fontes do EMISSOR, houve a notificação da existência de pessoas a entrarem após as 21h, hora determinada para o início da Assembleia Municipal. Quando questionado sobre esta informação, Miguel Costa avançou “o meu peditório para as telenovelas está feito”, acrescentando que “nós não podemos fazer nada se existem pessoas que vão à Assembleia, porque isso é o espaço do povo, qualquer pessoa pode ir, existe a limitação e foi fechado. Agora, o que se diz, é novela”.

O Presidente da Assembleia Municipal evidenciou ainda que “a Câmara Municipal ainda há pouco tempo realizou um evento dentro da câmara que tinha mais pessoas do que o que deveria e a câmara municipal foi notificada pela polícia – e não foi pela GNR de Paços de Ferreira, posso dizer que isto veio logo da Polícia Judiciária – a pedir um esclarecimento do evento”, acrescentando que “nós neste preciso momento não podemos estar a facilitar nestas coisas”.

“Para evitar estas situações futuras, nós vamos mudar algum, modos operandi das Assembleias Municipais. Aliás é uma proposta minha, que inclusivamente passa pelos cidadãos poderem, através de um site, poderem colocar as questões que normalmente vão lá colocar pessoalmente. Ou seja, eles poderem colocar essas questões, nós podermos, eventualmente, responder às questões nas Assembleias, mas elas serem transmitidas através da internet ou através do canal do município”, concluiu Miguel Costa.

Armanda Fernandez, Presidente da Comissão Política do Partido Socialista de Paços de Ferreira também foi barrada à entrada. Em declarações ao EMISSOR, a presidente referiu “é verdade, também fiquei cá fora. Eu que vou sempre, fiquei cá fora. Outros que nunca vão, ficaram dentro”.

A justificação que avançaram a Armanda Fernandez foi de que a sala estava cheia e, quando questionada sobre ter entrado pessoas depois das 21h, na Câmara Municipal, Armanda Fernandez avançou que “O que eu sei é, também, de pessoas que disseram isso mesmo. Eu não vi ninguém a entrar, não posso afirmar. Mas que me chegaram também essas mensagens, chegaram. Parece que haviam reservas de lugar, dos bilhetes, ou se não havia parecia. Mas isto vale o que vale”.

“Eu só digo que se isto foi feito por intenção, eu só tenho a dizer que isto é lamentável, logicamente. Tenho comigo que as pessoas são todas de bem e que não houve intenções para… porque as pessoas que ficaram cá fora, são pessoas que normalmente vão”, referiu a Presidente da Comissão Política do PS, que chegou pelas 20h45 e não conseguiu um lugar.

Armanda Fernandez explicou que “20h45 era uma hora razoável de entrar, era a hora em que costumo ir. Não vi nada na convocatória que levasse a ter assim tanto público quanto isso, portanto seria uma sessão normal, que aparentemente não ia ocorrer de outra forma”, acrescentando que “Estava lá muita gente, depois eu vim a saber que estava la gente que não é costume estarem e que inclusive sei, também, chegaram muito cedo. Chegaram pelas 20h, nem é muito normal isto acontecer… alguma coisa despoletou isto, mas… são tudo suposições”.

Quando questionada se a Assembleia Municipal deveria acontecer noutro local, tendo em conta as restrições atuais, a Presidente da Comissão Política do PS avançou achar que “aquilo é o local de democracia mais plena que existe no município, portanto o acesso do público é muito importante, é aí que se faz a verdadeira democracia, nós temos o direito – nós, estou a falar de mim como público – de assistir”, concluiu.

Ao EMISSOR, Domingos Ferreira, habitante e empresário pacense, avançou não ter chegado a ir à Assembleia Municipal “porque a demência desta gente é tal… Se cada deputado municipal convidar uma pessoa, é evidente que os 18 lugares são logo ocupados”, esclarece e complementa ter visto “deputados municipais, já feitos com o sistema, a fazer exatamente isso”.

“Quando não se quer que o povo tenha voz, faz-se este tipo de artimanhas”, refere Domingos Ferreira, expondo que “o que me disseram foi que houve pessoas que entraram ‘pela porta do cavalo’ e o que eu vi foi um deputado, presidente da Junta de Raimunda de uma atitude de vir cá fora fumar o cigarro. Uma atitude quase provocatória e isso não se faz. Podia fumar o cigarro na varanda virada para a par de trás. Não precisava de fazer o que fez. Veio-se mostrar para provocar e isso não se faz”.

“Caminhamos largamente para o chico espertismo e quando o chico espertismo dá nisto, ou o povo toma uma atitude, ou o chico espertismo continua a armar-se em cágados”, conclui Domingos Ferreira.

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