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EntrevistaRio Ferreira: Um problema de poluição pendente

Rio Ferreira: Um problema de poluição pendente

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Face às queixas constantes existentes por parte dos habitantes lordelenses e dos muitos vídeos que caracterizam o local como “poluído”, o EMISSOR foi ao encontro dos habitantes de Lordelo, freguesia de Paredes, que moram perto do Rio Ferreira.

Entre os testemunhos entrevistados, destacam-se declarações que evidenciam o mau cheiro do local, bem como a perda de qualidade de vida. A poluição existente no Rio Ferreira é ainda declarada como um “problema de saúde pública” e que ainda está longe de ser resolvida.

O Rio Ferreira tem vindo a ser poluído há várias décadas, nomeadamente pela ETAR existente em Arreigada, localidade no concelho de Paços de Ferreira. A cor e o mau cheiro existentes alertaram a população e não tardou para que as picadas de insetos provenientes do rio levassem a população de Lordelo a dirigir-se ao Centro de Saúde Local. O problema tornou-se grave, nomeadamente para quem vive perto do rio e não possui uma escolha.

Brunilde Sousa é habitante em Lordelo, reside na Rua das Cavadinhas ao lado do Rio Ferreira. Recorda-se de ir tomar banho rio na sua infância e, agora que reside ao lado, diz não aguentar com o cheiro, bem como as picadelas de insetos, tendo já tido uma má experiência nesse sentido.

Também habitante em Lordelo, Gil Barros é da mesma opinião de Brunilde no que diz respeito às recordações da infância, quando o rio era limpo, referindo inclusive ter aprendido a nadar no mesmo. Atualmente, vive ao pé do Rio Ferreira, na Levada do Pintem, e conta que, nas noites mais quentes, lhe era impossível abrir as janelas de casa ou mesmo de usufruir da frescura do rio, uma vez que a poluição provocava o mau cheiro e punha em causa a própria qualidade de vida.

Brunilde Sousa acredita que a ETAR não é capaz de tratar todos os resíduos provenientes de Paços de Ferreira e que, se assim continuar, não será possível resolver o problema do Rio Ferreira. Gil Barros complementa que, o que tem sentido por parte das entidades competentes, resume-se à “passagem do problema” de mão em mão sem nunca ninguém o resolver completamente.

Os habitantes sentem-se revoltados por não ser dada importância suficiente ao Rio Ferreira e, como moradores, referem sentir-se “de mãos atadas, sem poder fazer nada”.

 

 

“Mataram o Rio Ferreira”

Ana Bessa é uma das criadoras do movimento “Mataram o Rio Ferreira”, tendo vindo a lutar pela superação do problema no rio. Acredita que o movimento veio dar visibilidade ao problema existente e que, através dos vídeos que realiza frequentemente, enquanto moradora ao pé do rio, têm vindo dar conhecimento da situação.

Considera que, apesar de ter levado descrito e enviado o problema existente às entidades competentes, até ao momento, não foi o suficiente para mudar o panorama da situação. Em declarações ao EMISSOR, Ana Bessa chega mesmo a referir que, numa das últimas denúncias realizadas, foi-lhe respondido que, nas visitas efetuadas ao Rio Ferreira, não foi detetado qualquer problema, o que Ana caracteriza como um “contrassenso tremendo”.

Tratando-se de um problema proveniente da ETAR de Paços de Ferreira que ainda não foi resolvido, Ana Bessa demonstra a sua tristeza e revolta face ao problema que já passou, inclusive com os próprios animais que, após terem ingerido ervas provenientes do rio, tiveram de ser tratados num veterinário e levarem transfusões de sangue devido à gravidade do problema.

 

 

Com a mesma opinião que Ana Bessa, Nuno Serra, presidente da Junta de Freguesia de Lordelo, demonstra o seu descontentamento face ao problema instalado na freguesia, explicando a ETAR de Paços de Ferreira, não estando a funcionar, tem provocado o desconforto na população de Lordelo.

Apesar de serem revelados os dados a Nuno Serra da ETAR estar a funcionar a 50/60%, o presidente da Junta de Freguesia de Lordelo considera não estar a funcionar “nem a 30%”. Ao mesmo tempo, explica que existe “um crime identificado”, bem como “ações e processos a decorrer em tribunal” com a Concessionária de Paços de Ferreira, a Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

 

 

Qual a intervenção do Município de Paredes no problema do Rio Ferreira

Face às declarações dos habitantes de Lordelo no que diz respeito ao Rio Ferreira, o EMISSOR procurou esclarecer quais as intervenções que a Câmara Municipal de Paredes tem realizado com o intuito de devolver a qualidade de vida aos habitantes do próprio município.

Assim sendo, o EMISSOR foi ao encontro do vereador de Francisco Leal, Vereador do Ambiente do Município de Paredes que referiu que o problema existente está a ser resolvido, porém, a Câmara Municipal de Paredes não consegue ter uma intervenção tão direta na ETAR de Paços de Ferreira como o próprio município onde esta existe.

De acordo com Francisco Leal, “o município de Paredes não esteve parado” tendo ido ao encontro da SIMDouro de forma a ir ao encontro dos demais focos de poluição que estariam a prejudicar o Rio Ferreira e, assim, trabalhou no sentido de erradicar esses problemas que estariam a prejudicar as águas do rio.

No que diz respeito à recuperação do Rio Ferreira, trabalho que está ao encargo da Câmara Municipal de Paredes, Francisco Leal considera que, só existirá a possibilidade de avançar com a recuperação da água, do leito e da margem do rio, em conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), quando a ETAR de Paços de Ferreira estiver a funcionar em pleno.

 

 

Qual a intervenção do Município de Paços de Ferreira no problema do Rio Ferreira

De forma a perceber a situação se encontra, atualmente, a ETAR de Paços de Ferreira, o EMISSOR foi ao encontro do Vereador do Ambiente de Paços de Ferreira, Paulo Ferreira, o qual se dispôs de imediato a explicar o que, de momento, ainda falta fazer para que a ETAR funcione em pleno.

Em declarações ao EMISSOR, Paulo Ferreira explica que, após a conclusão da ETAR de Paços de Ferreira, é sempre necessário “fazer ajustes”, nomeadamente no que diz respeito a um dos tanques existentes na ETAR, onde “foi descoberto a existência de produtos que vêm para a estação de tratamento de águas residuais” sendo necessário alterar o composto químico para a realização da filtragem do sistema, o que acabou por se tornar num processo demorado.

O Vereador do Ambiente de Paços de Ferreira explica ainda que, nos próximos dias, irá finalmente aplicar-se esse mesmo composto químico de forma a tornar eficaz a desinfeção e a limpeza dos filtros existentes no tanque em questão. De acordo com Paulo Ferreira, espera-se que a ETAR esteja em total funcionamento até ao verão do presente ano.

 

 

O EMISSOR entrou em contacto, também, com a Águas de Paços de Ferreira que explicou, via email, que “a ETAR de Paços de Ferreira encontra-se em fase de remodelação, sendo a mesma da responsabilidade da Câmara Municipal de Paços de Ferreira. Nesse sentido, a AdPF não detém a informação necessária para responder às questões colocadas”, refere.

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