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Três guardas e um chefe prisional foram julgados e presos por tráfico de droga no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira

O esquema durou dez anos, tendo rendido “largos milhares de euros” aos líderes da rede

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Cide Grazina foi um dos 116 guardas prisionais admitidos no concurso público aberto no ano 2000, na altura, com 23 anos, conseguira “entrar para o corpo apesar de uma condenação com pena suspensa por tráfico de droga”, avança a Ordem dos Advogados em nota.

Uma fonte judicial acrescentou que “a pena não tinha transitado em julgado e por isso não constava do registo criminal”, além disso, fonte dos Serviços Prisionais avança que o Cide Grazina “tinha o cadastro limpo quando foi admitido”.

No ano de 2019, após 19 anos, Cide Grazina foi detido com mais três colegas “sob suspeita de corrupção e tráfico de droga dentro dos muros da cadeira de Paços de Ferreira”, acrescenta a Ordem dos Advogados, revelando que este não presenciou o julgamento no dia de hoje, no Tribunal de Penafiel, uma vez que morreu há um ano em “circunstâncias misteriosas junto a uma quinta abandonada em Paredes”.

Os demais três guardas prisionais, incluindo o próprio chefe, estão acusados de vários crimes de corrupção e tráfico de droga, tendo de enfrentar “a justiça dos homens num caso com um nome autoexplicativo”.

A Operação Entre Grades começou com um estalo na cara de Carlos Cardoso, segundo narra a Ordem dos Advogados, sendo que “Carlitos” (como era conhecido no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira) foi chamado à cela de Fábio “Gordo”, um dos presidiários mais influentes da cadeira, suspeito de formar uma aliança de tráfico dentro da prisão com Fábio “Tendas” e Tiago “Grande”. A desavença deveu-se ao facto de “Carlitos” se recusar a continuar a esconder e vender droga para a organização que “Gordo” e outros reclusos montaram na prisão.

De acordo com a acusação do Ministério Público, o depoimento do recluso “Carlitos” foi fundamental para a Polícia Judiciária do Porto, uma vez que foi possível desmantelar “este grupo que contava com a preciosa colaboração de três guardas e um chefe: Grazina, Dispenza, Machado e Borges. O Ministério Público avança que estes eram “pagos em dinheiro, bicicletas, televisores e descontos na aquisição de automóveis em stands controlados pelos suspeitos para introduzir na cadeia heroína, haxixe, cocaína e telemóveis”, esclarece.

Os pagamentos eram realizados na rua, por parte dos familiares dos reclusos, os quais lideravam a rede de tráfico dentro da cadeia, no entanto, a “investigação não conseguiu apurar exatamente quanto ganharam no total durante os anos em que a organização funcionou”, explica, em nota, a Ordem dos Advogados. Uma fonte judicial avançou que estes “recebiam em numerário ou em géneros o que dificultou a investigação porque não deixaram rasto”. Era dada uma quantia fixa de acordo com a droga transportada, ou seja, “cem gramas de haxixe traduziam-se em 100 euros; 20 gramas de heroína em 200 euros, …”.

O esquema durou dez anos, tendo rendido “largos milhares de euros” aos líderes da rede. O Ministério Público evidenciou o facto de terem sido usadas “contas bancárias de terceiros para guardar o lucro obtido com o tráfico na cadeia onde os preços da droga e dos telemóveis são muito superiores aos que se praticam na rua”. O Ministério Público apreendeu 131 mil euros em contas controladas por “tendas” e 55 mil euros a Fábio “Gordos”. A um dos guardas foram apreendidos com 4800 euros em dinheiro e 500 euros a outro.

A Ordem dos Advogados avança, em nota, que a investigação foi dificultada pelo facto de “decorrer no meio mais hostil possível: nas cadeias impera a lei do silêncio e neste caso em concreto houve ameaças aos reclusos que eram suspeitos de colaborarem com a polícia”, acrescentando que “dez meses antes de a Operação Entre Grades rebentar, houve buscas na prisão feitas pelos próprios serviços e vários reclusos foram transferidos para outras cadeias, o que quase ia provocando o fim da investigação”.

Na mesma cadeia, já tinha sido desmantelado um outro grupo que pagava ao chefe José Coelho para transportar droga para dentro dos muros, sendo que o próprio apanhou “13 anos de prisão no julgamento que acabou há pouco mais de dois meses. Outros quatro arguidos, todos reclusos, foram condenados a penas de prisão efetiva. Mas a pena mais alta foi para o guarda prisional”.

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