Ultrapassada a fase de reflexão sobre os resultados das eleições autárquicas, urge tempo de encontrar respostas para os partidos cujos resultados não corresponderam às expectativas. Uma vez que a reflexão dos vencedores passa pelos festejos e pela tentativa de atribuir aos seus partidos o mérito de terem convencido o eleitorado, no outro extremo encontram-se os derrotados, que tentam encontrar respostas que transmitam o mínimo de conforto para fazer esquecer a sensação de derrota.
Nestas últimas autárquicas, existem vários exemplos de partidos/coligações que demoraram a conformar-se com os resultados e, pior, a encontrar respostas para tamanho descalabro. As introspeções coletivas sucederam-se e, por entre bodes expiatórios, lá se encontraram candidatos e membros de comissões políticas que assumiram os resultados como sendo uma derrota das escolhas e não das propostas apresentadas.
Em Paços de Ferreira, por exemplo, a vitória de Paulo Ferreira, ou a continuidade do projeto do ex. presidente, pode marcar um novo ciclo de 12 anos de gestão autárquica com os vencedores de outubro. A história diz-nos que quem ganha as primeiras eleições de um novo ciclo muito raramente perde as seguintes. Se o atual presidente mantiver a tendência política populista assumida publicamente e aceite pela maioria do povo do concelho, só um terramoto poderá quebrar esta tendência.
Isso implica que a oposição terá um trabalho hercúleo pela frente, principalmente quando o líder da concelhia está em vias de sair de cena. Este cenário naturalmente traz preocupações para o seio interno do partido, mas também é visto como oportunidade para aqueles que deixaram o nariz fora de água, à espera de cheirar a mudança interna. Chegará o momento para essas figuras saírem debaixo da água e assumirem o que há muito ambicionavam.
Os rumores quanto aos sucessores começam a surgir pelos corredores e, pelo que se ouve, não se augura nada de novo. Ou seja, poderá ser mais do mesmo, para satisfação de quem está no poder. Os números das autárquicas não enganam quanto à visão do povo, cansado de ver os ‘velhos do Restelo’ sempre a orbitar à procura de regressarem ao poder.
Quando se fala de velhos, não é apenas na idade… também os jovens entram na equação. Podem ser novos de idade, mas já são vistos como velhos do Restelo. Neste particular, poderá surgir uma disputa ‘M&M’, dois jovens do sistema, mas bem calejados nas derrotas. Se a disputa ‘M&M’ for mesmo para a frente, o tal ciclo dos 12 anos começará a ganhar cada vez mais força.
E não se espera que essa disputa de ‘M&M’ seja tão doce como o chocolate…




