OpiniãoO Governo do “Está Tudo Bem” Um Retrato da Nossa Realidade

O Governo do “Está Tudo Bem” Um Retrato da Nossa Realidade

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Há uma qualidade rara no actual governo a capacidade quase artística de garantir que nada funcione enquanto afirma com convicção inabalável que tudo está sob controlo. É uma espécie de ilusionismo político o coelho nunca sai da cartola, mas somos convidados a aplaudir na mesma.

Vivemos numa época em que os problemas estruturais do país deixaram de ser desafios a resolver e passaram a ser ruído de fundo, convenientemente ignorado entre conferências de imprensa optimistas e promessas recicladas. A economia “estabiliza” palavra elegante para dizer que não cresce como devia. Os serviços públicos “resistem” expressão sofisticada para esconder o seu lento colapso. E a população “adapta se” isto é aguenta.

O mais fascinante neste cenário é a consistência. Não importa o sector saúde educação habitação ou justiça todos parecem participar num concurso silencioso para ver quem consegue funcionar pior com mais anúncios de melhoria. Hospitais sobrelotados tornam se “desafios sazonais”. Escolas sem professores são “ajustes temporários”. Casas inacessíveis são “dinâmicas de mercado”. A linguagem é tratada com tanto cuidado que quase nos esquecemos de olhar para a realidade.

Entretanto o cidadão comum vive num exercício diário de equilíbrio pagar mais receber menos e ainda assim manter a esperança de que “para o ano é que vai ser”. É um optimismo quase comovente não fosse ele sustentado por sucessivas desilusões.

No plano político o governo parece ter dominado uma estratégia peculiar reagir sempre tarde mas com grande aparato. Quando finalmente actua fá lo com medidas que resolvem metade do problema frequentemente criando dois novos. Ainda assim a narrativa oficial mantém se intacta progresso estabilidade confiança. Três palavras repetidas com tal frequência que começam a soar como um mantra ou um pedido de fé.

E depois há o caos esse convidado permanente que ninguém quer assumir. Não é um caos explosivo ou imediato mas antes um desgaste contínuo quase silencioso. Uma erosão lenta das instituições da confiança pública e da paciência colectiva. É o tipo de caos que não faz manchetes todos os dias mas que acumulado define uma geração.

Talvez o maior talento deste governo seja precisamente esse transformar o caos em rotina. Fazer com que o extraordinário se torne banal e o inaceitável tolerável. E assim seguimos entre anúncios promissores e resultados modestos numa espécie de normalidade disfuncional que já poucos questionam.

No fim resta uma dúvida incómoda estamos a assistir a uma estratégia deliberada ou a uma sucessão de improvisos bem disfarçados? Seja qual for a resposta uma coisa é certa o espectáculo continua e nós continuamos na plateia à espera que desta vez o truque resulte.

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