OpiniãoCapital do móvel, uma marca com passado, mas sem futuro

Capital do móvel, uma marca com passado, mas sem futuro

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Durante décadas, usamos com orgulho o título de “Capital do Móvel”. Era a nossa imagem de marca, o motor da economia e o símbolo de um concelho empreendedor. Contudo, corremos o risco de transformar esse slogan numa utopia romântica do passado. Ser a capital de uma indústria exige visão e planeamento, mas Paços de Ferreira enfrenta hoje o resultado de anos de desleixo no ordenamento do território e a falta de zonas industriais devidamente estruturadas.


As nossas Empresas cresceram, modernizaram-se e precisavam de espaço para expandir. À falta de zonas industriais competitivas na sua própria terra, o resultado está à vista, a fuga das grandes empresas para os concelhos limítrofes. Vizinhos como Paredes, Santo Tirso ou Lousada souberam antecipar-se, criar condições logísticas apelativas e abrir as portas ao investimento que deveria fixar-se cá. À exceção do IKEA, que resiste como uma ilha, quando a maior parte está a sair de Paços de Ferreira.


O espelho desta decadência é o estado atual do nosso Parque de Exposições e da Associação Empresarial. Aquele que já foi o grande templo da promoção do mobiliário nacional está hoje votado ao abandono, numa decadência total. Deixaram-se de fazer as grandes feiras da Capital do Móvel cá dentro. Esqueceram-se do impacto brutal que essas semanas tinham na nossa economia local: o comércio, a restauração e os pequenos negócios vibravam com os milhares de pessoas de fora que nos visitavam e gastavam cá o seu dinheiro. Hoje, o silêncio daquele espaço é o reflexo de um concelho que parou no tempo.


Para agravar o cenário, enfrentamos uma crise humana sem precedentes. Paços de Ferreira está a tornar-se um concelho envelhecido porque há uma dramática falta de mão de obra. Os nossos jovens não querem esta arte, não fomos capazes de lhes mostrar que o setor pode ser inovador e atrativo. Sem renovação das gerações, estamos a condenar o nosso ganha-pão. Quando a atual e resistente geração de artesãos se reformar, a indústria dos móveis simplesmente vai acabar.


Não podemos continuar a viver de louros do passado. Paços de Ferreira precisa, urgentemente, de infraestruturas que segurem as empresas e de uma estratégia real que aproxime a juventude da nossa tradição. Caso contrário, seremos apenas a “Capital” de algo que já só existe nas placas à entrada da terra.

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