OpiniãoCombater a violência doméstica – um flagelo social

Combater a violência doméstica – um flagelo social

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Iniciamos um ano de 2023 com muita incerteza no futuro, mas também a lamentar, enquanto sociedade, 22 vítimas de violência doméstica, das quais uma criança, segundos dados do 3.º trimestre do Portal da Violência Doméstica.

À volta de toda a problemática da violência doméstica, não podemos esquecer a precariedade laboral, as dificuldades económicas, a desigualdade de género, bem como demais fatores e sem esquecer que a violência doméstica abarca todos os estratos sociais.

Segundo os dados do Portal da Violência Doméstica (acedido a 31/12/2022), constata-se que existem 200 estruturas de atendimento, 37 casas de abrigo e 17 acolhimentos de emergência. Todas estas estruturas da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica têm conhecido um grande aumento dos seus números, o que é natural face ao aumenta de casos de violência doméstica. Ainda na estatística e até ao 3.º trimestre de 2022, tivemos 8887 ocorrências e constatamos a existência de 853 mulheres, 706 crianças e 15 homens em acolhimentos da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica. Números que deveriam levar a um reforço de meios humanos, logísticos e financeiros para um apoio mais célere e mais abrangente.

Uma proposta, para além dos programas já existentes, é criar um programa municipal, devidamente estruturado e pensado a médio/longo prazo, para que desde cedo as crianças e jovens fiquem sensibilizados sobre esta problemática e levem informação pertinente para casa. É urgente a mudança de mentalidades na sociedade e é a partir da escola que se poderá iniciar este processo, acompanhado de campanhas na imprensa e outdoors sobre o combate à violência doméstica, bem como fazer passar a mensagem de como procurar ajuda pelas populações dos meios rurais.

A sociedade não pode continuar a olhar para o lado perante este flagelo social, escondendo-se e alheando-se da sua responsabilidade, com base em estereótipos arcaicos. É necessário fazer as mudanças transformadoras, bem como alocar verbas e recursos humanos no combate a esta epidemia social.

Bruno Sousa

Membro da comissão concelhia de Penafiel do PCP

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