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OpiniãoDo futebol à política concelhia ou “vice-versa” …

Do futebol à política concelhia ou “vice-versa” …

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Se o caro leitor tivesse que apostar num treinador para a equipa da sua paixão, optaria por alguém que, apesar de dedicado ao clube, nunca tivesse ganho nada ao serviço desse mesmo clube e fosse visto como um eterno adjunto, que inclusivamente tivesse apoiado muitas das decisões do clube rival, tivesse participado até de decisões que agora critica junto desse mesmo clube rival, ou, pelo contrário, optaria por um treinador que garantisse atingir bons resultados? Um treinador sapiente, dedicado, com visão e com capacidade ganhadora, com um projeto sustentado para a equipa e que representasse uma ideia de modernidade, progresso e uma mudança feita de capacidade de inovar. Dito de forma, ainda mais concreta, apostaria em Rui Barros ou em Sérgio Conceição, apostaria em Nelson Veríssimo ou em Roger Schmidt, apostaria em Rúben Amorim ou em Manuel Fernandes?

A questão parece não suscitar especial dúvida!

Assim foi, assim aconteceu! Assim deveria voltar a acontecer!

Mas, e, se esse treinador não pudesse continuar a ser o treinador da equipa por questões regulamentares? Optaria pelo eterno adjunto, ou, pelo contrário, tentaria colocar no centro de todas as decisões o treinador que tudo ganhou, o eleito da massa associativa e com provas dadas, o treinador cuja visão e liderança é incontestável e em que toda a equipa técnica sempre se sustentou, procurando ao mesmo tempo encontrar uma figura ligada ao clube, ou fora dele, que garantisse a continuidade das vitórias sem deixar de ter na configuração do ex-treinador o centro de todo o processo?

A questão parece não suscitar especial dúvida!

Assim esperemos que venha a ser!

Por outro lado, se a equipa técnica que acompanhava o ex, ainda atual, treinador, e que fazia intenção de acompanhar também, o futuro treinador, valorizando mais o interesse comum e maior do clube, congruentes com a sua grande luta contra os “tachistas” e os assaltantes do poder, estivesse disponível para sacrificar as suas ambições pessoais, os seus sonhos mais bem guardados em benefício do bem comum do clube, e desta forma, capazes de serem os primeiros a incentivar que a nova equipa técnica incluísse elementos realmente válidos e independentes, os quais alargariam o poder e a influência deste novo grupo de trabalho. Até porque, estou convencido que emprego e trabalho não lhes faltaria para além da política, quero dizer, do futebol.

A questão não parece, então, suscitar especiais problemas!

Logo, vaticinar o fim do poder e da influência do ex, ainda atual, treinador, “construir cenários em segredo”, o mesmo é dizer, equipas para o futuro prescindindo do ainda treinador, lançar-se em projetos de dúbio interesse eleitoral ou concelhio sem a participação e aval do ex, ainda atual treinador, não me parece ser  uma boa tática para o treinador adjunto.

Por este motivo é que Sir Alex Ferguson é um eterno ex, atual, treinador do Manchester United.

Concluindo, e não nos afastando do tema do artigo ( o futebol) quem não tem o poder formal, e muito menos o informal, não pode nunca abdicar de quem o tem, restando-lhe andar pela mão deste, até ao fim dos seus dias políticos/futebolísticos, mostrando-lhe lealdade cega, pois quem não tem trunfos para ir a jogo, tem mesmo que sujeitar-se em apoiar-se no parceiro escusando de fazer “bluff”, sob pena do ex, atual, treinador virar todo o jogo.

Jean-Philippe Carneiro

WORKIT-12ano

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