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OpiniãoO grande artifício

O grande artifício

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Há quem veja artifícios na morosidade da justiça, há quem encontre artimanhas na proliferação de propostas dos partidos que nunca se convertem em soluções; na profusão de expedientes burocráticos espalhados por todos os organismos públicos, na liturgia dos afetos do presidente, no subsídio ao ISCTE, na subcomissão para acompanhar o PRR, no ivoucher, na festa da “Parque Escolar”. É claro que há quem viva de preparar os futuros contribuintes, com artifício bastante, para aceitar como recomendável a arte da propaganda e fazê-los sentir que são socialmente aceites no grande caldeirão do artificialismo socialista. Há mesmo um ministério gratuito, onde se educa gratuitamente, para a parcimónia marxista entorpecedora, com “escola mínima”, passagens automáticas, Ubuntu e desmérito vestido de igualdade. Há destacados cínicos, a fazer trilho na política a pretexto da destruição da dignidade dos professores e da festa do esbanjamento despudorado do dinheiro público, pavoneando-se por destratar profissionais do ensino e a convertê-los em moribundos afogados em grelhas e relatórios ao serviço das estatísticas da OCDE.

No ISCTE os artífices “fazem escola” e a reitora é a imagem da imensa arrogância socialista. Maria de Lurdes Rodrigues construiu toda a sua carreira como ministra da educação na base da desvalorização e estigmatização dos seus principais ativos, alimentou a ideia generalizada de que os docentes são desqualificados, ganham demasiado, trabalham pouco e têm muito tempo de férias. Quem não se lembra da frase “ perdi os professores, mas ganhei os pais”, proferida após a grande manifestação de professores de 2008? Esta astuta, recorreu-se da mais prosaica argumentação para destruir, com grande apoio social, os salários e a carreira dos professores a frete do governo mais irresponsável de que há memória. Os cortes que nesse tempo o rigor socialista infligiu aos profissionais, serviriam depois para esbanjar sem freio na “festa da Parque Escolar”, outra frase emblemática da mesma autora, reveladora da personalidade de alguém que nem se dá ao trabalho de esconder a altivez e o regabofe. Estimular deliberadamente a desvalorização do trabalho dos professores, alimentando os mais levianos anátemas sociais, foi a herança que não somente ela, mas todos os últimos ministros da educação deixaram ao país. O pasto que alimentou e alimenta a propaganda dos partidos que governaram o ministério nos últimos 20 anos, não aportou à educação nada que significativamente a dignifique, e resultou para já, visivelmente, na crise de professores que agora se regista. A dita ex-ministra responde “hoje” à crise de falta de professores com um desconcertante “não sei nem quero saber”. Faltou à frase o “e tenho raiva de quem sabe”, porque este pressuposto de avaliar os professores pelo qual este artifício ficou conhecido, nunca teve por objectivo valorizá-los ou estimular uma concorrência sã na profissão. A óbvia intenção foi sempre a de fazer cortes orçamentais, castigar os docentes e do folclórico ódio social criar um “bode expiatório”, sempre à mão para justificar as mais variadas insuficiências.

Enquanto a desmoralização e descrédito social dos professores continuar, teremos razões para a indisciplina dos alunos e para a falta de interesse que a carreira desperta nos jovens. Apesar de gastar 6600€ por aluno, mais do que qualquer escola privada, o estado, que é como quem diz os contribuintes, paga mal aos professores e impõe limites geográficos e financeiros à liberdade dos pais escolherem a escola e o projecto educativo para os seus filhos, inviabilizando desde a raiz a concorrência de que todo o sistema educativo padece, para então poder fazer a verdadeira triagem aos profissionais. A enorme artimanha, da qual esta avaliação docente faz parte, é afinal a falsa virtude atribuída à escola gratuita. A este grande artifício, que juntamente com tantos outros, ajudam a cobrir o mapa das intenções de voto de cor-de rosa, apetece-me chamar veneno. Como dizia Vergílio Ferreira “ habituámo-nos ao veneno e já não sabemos passar sem ele”.

André João

Membro IL Valongo

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