Opinião“O trabalho digno”, segundo o PS

“O trabalho digno”, segundo o PS

Relacionados

Parque das serras do Porto ou Parque da Monocultura navigator?

Serra de Santa Justa a que melhor conheço, na era Romana denominada como Serra Cuca Macuca. Na era Romana (século II) rica pela exploração mineira...

Quanto se ganha por hora de trabalho em Portugal?

Algo importante na vida de todos e todas que trabalham é o salário. É com ele que pagamos as contas do nosso quotidiano, que...

A mineração por Penafiel

No passado dia 27 de dezembro terminou a consulta pública sobre o pedido de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa de depósitos minerais...

Neste último ano foi anunciada, com toda a pompa e circunstância como se de uma verdadeira mudança no mundo laboral surgisse, a “Agenda do trabalho digno”. É um nome apelativo, quase que vindo diretamente de algum estúdio publicitário para uma grande campanha eleitoral… Consultando a informação presente na página da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (https://www.dgaep.gov.pt/index.cfm?OBJID=b8a129f3-8eb7-4b56-932f-f084b9abab44&ID=103000000), constatamos que as medidas emanadas pelo PS e seus aliados visam:

  1. combater a precariedade. No que se refere ao combate à precaridade, a história mostra que os trabalhadores portugueses tiveram grandes conquistas no período pós 25 de Abril mas, que a alternância governamental do triunvirato habitual PS/PSD e CDS, levou a que os trabalhadores fossem perdendo direitos e segurança laboral em nome da flexibilização laboral e da maximização dos lucros pelo capital.
  2. incentivar o diálogo social e a negociação coletiva. Neste ponto bem sabemos da aliança PS/PSD para criarem uma central sindical e assim dizerem que dialogaram/negociaram com os trabalhadores. Desta forma e com menos resistência conseguem impor as ordens emanadas do grande capital, pois uma central sindical que realmente defenda os trabalhadores nunca iria ceder perante o capital.
  • promover a igualdade no mercado de trabalho entre mulheres e homens. Nesta medida nada de novo e na qual a história prova que a desigualdade é criada e mantida por obra do PS/PSD e CDS, que procuram desta forma dividir os trabalhadores por género. Veja-se apenas um pequeno exemplo: nas eleições para a Constituinte de 1975, o PS tinha 10 mulheres em 116 deputados (8,6%), o PSD 5 em 81 deputados (6,2%), o CDS 1 em 16 deputados (6,3%), o PCP tinha 4 em 30 deputados (13%), o MDP 0 em 5 deputados, a UDP 0 em 1 deputado. Assim, já desde 1975 que o PCP defende e promove a igualdade entre homens e mulheres, ao invés dos partidos que têm alternado a governação em Portugal desde o 25 de Abril.
  1. criar condições para melhorar o equilíbrio entre a vida profissional, familiar e pessoal dos trabalhadores. Nesta medida e sem um grande exercício mental, pois sabe-se muito bem quem tem criado legislação que desregula os horários de trabalho, quem não promove o equilíbrio entre a vida profissional, familiar e pessoal de quem trabalha.
  2. reforçar os mecanismos de fiscalização de situações irregulares. Se realmente houvesse esta preocupação, já há muito tempo que a ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho) teria sido reforçada nas suas competências fiscalizadoras e em recursos humanos suficientes para intervir mais rapidamente nas irregularidades do mundo laboral.

Para concluir, só através de uma verdadeira e sincera política alternativa, patriótica e de esquerda, será possível promover verdadeiramente uma política de trabalho digno na sua plenitude. Para tal, é preciso dar mais força a quem realmente defende os portugueses e as portuguesas que diariamente criam a riqueza deste país.

Bruno Sousa (professor)

Membro da Comissão Concelhia de Penafiel do PCP

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -spot_img

Últimos Artigos

- Publicidade -