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OpiniãoTóquio aqui vamos nós #3

Tóquio aqui vamos nós #3

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Uma prestação para mais tarde recordar

À partida para a presente edição dos Jogos a decorrer em Tóquio entre 23 de julho e oito de agosto, a comitiva lusa partia com fortes e legítimas aspirações a uma representação condigna neste acontecimento. O Emissor, nas anteriores edições desta rubrica deu-lhe a conhecer , não só, os representantes das quinas na competição como destacou as modalidades nas quais o nosso País apresentar-se-ia. Pois bem, agora que Tóquio já ficou para trás e que Paris está a três anos de distância, parece-me ser a altura adequada para fazer um balanço , ainda que de modo sumário, da participação dos nossos atletas na maior competição desportiva à escala global, mencionando pontos altos e baixos desta expedição ao país do “sol nascente”.

Os jogos olímpicos são uma festa do desporto na qual são apregoados ideais de : igualdade, respeito pelo outro e  convívio são entre todos. Na continuação do esforço em construir bases para uma sociedade mais justa e igualitária, a organização instituiu pela primeira vez em toda a história que na cerimónia de abertura de apresentassem dois elementos por nação, um de cada género, a terem a honra de transportar a bandeira da sua pátria. Sendo que no caso do nosso País tal tarefa coube à judoca Telma Monteiro e ao triplo saltador Nelson Évora, medalha de ouro em Pequim 2008, a participar pela última vez no evento.

Desta forma estava dado o “tiro” de partida para uma quinzena de emoções à flor da pele e muitos momentos memoráveis.

Convém referir que para além da privação de público nos locais das provas havia ainda a reter e a cumprir o não contacto entre comitivas, pelo que as habituais reuniões na aldeia olímpica, eram dado a retirar da equação.

Artes marciais: mais um metal conquistado no Judo

Voltando à competição propriamente dita, Rui Bragança, o vimaranense que nos representava na arte marcial de Taekwondo, e pessoalmente um atleta sob o qual recaíam fortes esperanças a um bom desempenho e talvez até a uma medalha “caía” logo à primeira! E por grande margem, dizendo assim adeus logo ao segundo dia.

Contudo noutra modalidade de combate, mas desta feita no Judo, a medalhada de Bronze no Rio 2016, Telma Monteiro, igualmente atleta do SL Benfica e uma das maiores referências de sempre desta modalidade e do desporto nacional em geral, parecia revelar estar em boa forma, quando na 1ª ronda se superiorizou  demonstrando grande autoridade, precisando apenas de meio minuto para carimbar o triunfo. No entanto, e após um extenuante  duelo na ronda seguinte, decidido no “golden score”, ponto de ouro, e já ultra desgastada a trintona acabaria por capitular, abandonando em lágrimas o tatami. Assim ficava por terra uma das maiores esperanças à conquista de uma medalha por parte dos lusitanos!

Como era do conhecimento geral, o Judo poderia ser uma das modalidades na qual o País contava mais possibilidades de alcançar a glória! Mas esse facto parecia não se concretizar, visto que decorridos os primeiros cinco dias de provas, o melhor resultado ia pertencendo à “rookie” Catarina Costa que  findara a sua atuação com um, a todos os títulos, magnífico quinto posto. A atleta que representa a Associação Académica de Coimbra declarou sentir-se radiante por tão bom desempenho na estreia olímpica. Mas ainda faltavam alguns candidatos tentar entrar para a eternidade do desporto por terras de Cabral!

Jorge Fonseca, atleta ligado ao Sporting Clube de Portugal, prometia não deixar os seus créditos por mãos alheias, não escondendo que a sua grande ambição/objetivo, e para o qual tanto tinha trabalhado, era o metal mais dourado de todos! Tentava concretizá-lo na categoria de +100kg, onde recolhia favoritismo para chegar longe. Isso ganhava forma e tornava-se em algo concreto e palpável à medida que o nascido em S. Tomé e Príncipe ia fazendo “vítimas”! Até que chegaram as meias finais, e Jorge contraiu uma ligeira maleita no braço direito impeditiva de se encontrar  no topo da forma para afrontar o seu oponente. Mesmo apesar de tal cenário, o judoca bater-se-ia como um verdadeiro “leão”, tendo apenas sido derrotado através de um “Wazari”, já nos instantes finais, algo que não lhe conferiu tempo de resposta, ficando assim arredado da disputa pelo ouro. Aí viriam ao de cima toda a garra, crença e espírito de luta, tão peculiares neste talentoso praticante, e superando a frustração de não marcar presença na discussão do título olímpico, mas ciente da responsabilidade e do feito que seria a obtenção de uma medalha para Portugal, Jorge e restante corpo técnico luso, recuperando motivação foram à luta, e o resultado não foi nada mau! Um bronze! Com o medalheiro para as cores nacionais a  começar a ser recheado.

Rochele Nunes, também se exibiu a um nível bastante apreciável, falhando no objetivo de replicar o que o seu companheiro de seleção havia feito horas antes. Assim se despedia  o judo  de Tóquio, com o bronze de Fonseca, apenas a terceira medalha de Portugal no desporto em Jogos Olímpicos, juntando-se aos metais de igual valia conseguidos por Nuno Delgado em Sidney 2000 e por Telma Monteiro.

Triplo salto: uma história escrita a dois

O ponto mais alto, em minha opinião para a nossa bandeira, aconteceu nas provas de triplo salto. A masculina foi dominada logo desde a qualificação pelo benfiquista Pedro Pablo Pichardo, que mesmo tendo de lutar contra todos os preconceitos inerentes ao facto de não ter nascido em terras lusitanas, algo irrelevante  na verdade para quem segue o mundo do desporto de alta competição, e focando-se apenas na competição propriamente dita deixou todos os mais diretos rivais a uma distância quilométrica, só parando quando se viu na posição mais alta do pódio. Tendo sido recebido em êxtase por umas boas dezenas de pessoas, que em pleno aeroporto Humberto Delgado o saudaram entoando o seu nome a plenos pulmões. Numa chegada que ficaria marcada pela promessa de não ficar por aqui, no que diz respeito a momentos mágicos, assegurando que o seu grande desidrato será bater o recorde do mundo da especialidade.

Se nos homens conseguimos um ouro, que apesar de tudo se sabia ser muito possível, a prata de Patrícia Mamona seria uma das histórias do triplo salto em Tóquio 2020! A já veterana, mas sempre sorridente e simpática desportista, já bem entrada nos trinta, e que recuperara a sua melhor forma após ter estado infetada com Covid19,admitiu ter saltado a nível transcendental, batendo por duas vezes durante a prova um recorde nacional que já lhe pertencia. Patrícia, uma verdadeira “leoa”, superou-se e obteve a prata , num concurso que entrará para história olímpica pela grande vantagem conseguida, e consequente queda do recorde do mundo da especialidade  conseguido pela fantástica atleta venezuelana, Yulimar Rojas.

Para fechar o lote de medalhados, Fernando Pimenta, o limiano que defende o SL Benfica, arrecadaria novo bronze, numa prova de excelência, com o nortenho a ser o melhor nas regatas qualificativas ficando a escassa margem do degrau mais alto do pódio.

Os 50Km marcha em que o Sportinguista João Vieira, obteve um fantástico quinto lugar, perdendo a luta pelo acesso aos lugares medalháveis já na reta final da exigente competição, ou o sétimo posto da ciclista de pista Maria Martins, na sua primeira aventura olímpica aos 22 anos, juntando-lhes o 11º lugar da nadadora vilacondense Ana Catarina Monteiro na prova de 200m mariposa, o melhor resultado de sempre da natação feminina nacional, configuram outros resultados de enorme valia para quem aposta tão pouco no alto rendimento.

Será que as quatro medalhas, os 15 diplomas olímpicos, correspondentes a classificações dentro dos oito primeiros e as 36 presenças entre o Top16 não serão motivos suficientes para fazerem, de uma vez por todas, despertar a consciência política  para as ditas modalidades “amadoras”? Isso não sabemos, o que temos certeza é que  a estas deve ser dado o mesmo “ tratamento” que ao futebol, e não que  apenas lhes sejam pedidos resultados a cada olimpíada, quando não lhes fornecem condições para tal. No entanto, comprovou-se que esta foi a melhor prestação de sempre para o País em competições do género!

Chega assim ao fim esta verdadeira “odisseia” por terras nipónicas, que tanto orgulho nos conferiu!

 

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