O PSD Paços de Ferreira iniciou um novo ciclo com as eleições internas do partido, que elegeram Miguel Pereira como novo presidente da Comissão Política. Apesar da sua juventude, o atual líder do principal partido da oposição na Câmara Municipal tem demonstrado, neste arranque de mandato, uma postura diferente da do seu antecessor.
No seu primeiro mês de trabalho, Miguel Pereira tem procurado afirmar uma linha de atuação mais próxima do terreno, com a realização de visitas às freguesias do concelho e uma postura de fiscalização atenta do trabalho do executivo liderado por Paulo Ferreira.
Mas vamos por partes.
Uma das primeiras medidas foi o agendamento de visitas às freguesias do concelho de Paços de Ferreira, tendo já tornado públicos alguns desses périplos, que, curiosamente, começaram em Freamunde, freguesia cujo presidente de Junta é da mesma cor política da Câmara Municipal. Um sinal que pode ser interpretado como a vontade de abordar todas as freguesias de forma equitativa, sem diferenciações políticas ou benefícios consoante a cor partidária.
Foi ainda criada uma linha direta aos munícipes para denúncias ou reporte de problemas existentes nas suas áreas de residência. Esta medida revela também uma preocupação em aproximar a estrutura partidária da realidade quotidiana das populações e em recolher informação direta sobre os seus problemas.
Deixo para terceiro ponto a medida que considero mais impactante neste início de mandato: a convergência política com os 11 presidentes de Junta eleitos pelo PSD no concelho.
É inequívoca a forma concertada como foi denunciada a eventual incompatibilidade de funções de Jocelino Moreira, quando exercia simultaneamente o cargo de chefe de gabinete do presidente da Câmara e presidente da Junta de Freguesia de Raimonda.
A declaração conjunta assinada por todos os presidentes de Junta surge na sequência da denúncia avançada pelo PSD Paços de Ferreira, baseada num parecer da CCDR-N que levantava dúvidas sobre a legalidade da acumulação de funções. A demissão de Jocelino Moreira acabou por representar um desfecho político relevante, demonstrando capacidade de articulação e de intervenção por parte desta estrutura do PSD.
Mais do que isso, este episódio evidenciou também a capacidade dos presidentes de Junta em se posicionarem de forma concertada na defesa dos interesses das suas freguesias, sem receios de confronto político com o executivo municipal.
Miguel Pereira conseguiu ainda expor, de forma clara, tensões internas no espaço socialista local, evidenciando divergências entre Humberto Brito, presidente da concelhia do PS, e Jocelino Moreira, com impacto político visível no funcionamento interno do partido.
Resta saber se estas primeiras semanas de liderança terão continuidade, mantendo esta postura proativa e de fiscalização, num PSD que procura afirmar-se como alternativa séria à gestão municipal dentro de quatro anos.
No entanto, nem tudo é perfeito, e o PSD Paços de Ferreira tem ainda vários aspetos a melhorar para voltar a ser uma referência política no concelho. A transparência é um deles. Não se compreende, por exemplo, porque não é pública a lista de militantes. Ser militante do PSD deveria ser um motivo de orgulho e não algo assumido de forma reservada. Aliás, tendo em conta o objetivo assumido de crescimento da militância, conforme assumiu Miguel Pereira na campanha das eleições internas do partido, tornar pública uma lista alargada de militantes seria também um sinal de abertura e de força política.
Há espaço para melhorar, mas é preciso querer…




