Levantamento promovido pelo município em 2024 detetou espécies raras, exóticas e invasoras no concelho
Um inventário micológico promovido pelo Município de Lousada durante o ano de 2024 identificou 196 taxa de fungos no concelho, incluindo 82 novos registos locais e várias espécies raras, algumas das quais assinaladas pela primeira vez em Portugal.
O estudo foi realizado em 18 áreas representativas do território, abrangendo diferentes ecossistemas do mosaico agroflorestal. Segundo os dados divulgados, foram identificadas 111 espécies sapróbias, 46 micorrízicas e 17 parasitas.
Entre os resultados, destaca-se a deteção de seis espécies possivelmente exóticas, das quais três foram confirmadas como invasoras, o que, de acordo com a informação municipal, evidencia a necessidade de monitorização contínua.
Uma das espécies em expansão é Favolaschia claudopus, fungo associado à decomposição de madeira morta, cuja presença em Lousada confirma a progressão desta espécie invasora no noroeste do país. Também foi identificada Ophiocordyceps humbertii, um fungo parasita de vespas do género Polistes, cuja ocorrência fora de regiões tropicais poderá indicar adaptação a novos contextos ecológicos.
Outras espécies registadas incluem Pleuroflammula praestans, Clathrus archeri e Stropharia rugosoannulata, esta última frequentemente associada a cultivo, sendo apontada como potencial caso de escape para o meio natural.
O levantamento permitiu ainda identificar espécies raras e simbióticas, como Cortinarius pilatii, detetada na Mata de Vilar, Alnicola citrinella, associada a amieiros e encontrada em zonas ribeirinhas, Calocybe ionides e Cortinarius helvelloides, todas confirmadas por análise molecular e registadas pela primeira vez no país.
De acordo com os dados divulgados, a presença destas espécies está associada a habitats específicos, como galerias ripícolas e áreas florestais maduras, o que reforça a importância da sua conservação. Foi também identificado Cantharellus romagnesianus, espécie micorrízica associada a carvalhais mediterrânicos.
Segundo o município, a expansão de espécies exóticas poderá ter impacto nos processos ecológicos, nomeadamente na decomposição da matéria orgânica e nas interações entre espécies, enquanto a identificação de fungos raros sublinha a relevância da preservação dos ecossistemas locais.
Este inventário é apresentado como um contributo para o conhecimento da diversidade fúngica no concelho e para a definição de estratégias de conservação, num contexto em que os fungos continuam a ser um grupo ainda pouco estudado, apesar da sua importância ecológica.




