OpiniãoPromessas com GPS avariado

Promessas com GPS avariado

Relacionados

Paços de Ferreira não precisa de mais política. Precisa de mais escrutínio.

Há uma pergunta que, de tempos a tempos, uma terra deve fazer a si própria. Estamos realmente a discutir o futuro do concelho ou...

Acabaram-se as festas. E os Avós?

Há algum tempo escrevi sobre a febre das festas e festinhas em Paços de Ferreira. Na altura, dinheiro parecia não faltar. Era festa para...

Portugal, o pantanal onde todos parecem ter botas limpas

Portugal entrou novamente naquele território pantanoso onde a política deixa de discutir soluções e passa a discutir quem tem mais lama nas botas.O caso...

Há anúncios políticos que são tão bonitos que até deviam vir com moldura.

Dez milhões para Meixomil, Quinta do Paço, casas, jardins sensoriais, hortas, animais, restaurante, apoio médico e de enfermagem. Só falta mesmo uma coisa pequenina: saber quando é que isto deixa de ser conversa e passa a ser obra. Porque ter cabeça não quer dizer ter cabelo. Eu que o diga. E ter um comunicado cheio de milhões também não quer dizer ter dinheiro, projeto fechado, data marcada e máquinas no terreno. O mais curioso é a semelhança entre certos estilos políticos.

De um lado, aqueles do passado, sempre prontos a anunciar mundos e fundos. Do outro lado, é o que se vê em Meixomil, agora também embalado nesta arte nobre de transformar intenções em foguetes. São anúncios, sorrisos e promessas de futuro. Ambos adoram segurar no cartaz. E o povo, coitado, fica a tentar perceber se está perante uma obra ou perante mais um episódio da novela “um dia vai ser”.

A política local descobriu um truque fantástico: anunciar primeiro, explicar depois. Se correr bem, eram visionários. Se correr mal, a culpa é do Governo, da Câmara, da oposição, dos fundos, da burocracia, do tempo ou da senhora da fotocopiadora que não carimbou o papel. Nada contra o projeto, atenção. Se vier mesmo, se for sério e se servir pessoas, ótimo.

Meixomil merece investimento. O problema é esta mania de vender o futuro como se já estivesse inaugurado. Ainda não há obra, mas já há discurso. Ainda não há datas, mas já há entusiasmo. Ainda não há certezas, mas já há fotografia mental com corte de fita. Paços de Ferreira já conhece esta música. Em tempos também se falaram de grandes empresas de semicondutores ‘vitnamitas’, jantares de negociações, apresentações em salões nobres, comunicados pomposos e quase inaugurações. O problema foi o “quase”. Era tudo grande: muitos empregos, grandes investimentos, futuro brilhante, inteligência a rodos, até a inteligência artificial ficava envergonhada. Só faltou aparecer a empresa.

Essas promessas devem estar ainda à procura da rotunda certa para chegar ao concelho. Talvez venham com o GPS desligado desde 2013. Esperemos que este investimento para Meixomil não siga pelo mesmo caminho.

E depois querem-nos fazer crer que PS e PSD são muito diferentes. Pois são. Uns prometem com gravata laranja, outros com gravata rosa. Mas, quando toca a anunciar antes de concretizar, parecem primos direitos na mesma festa de família. O povo não precisa de promessas penteadas. Precisa de datas, contratos, licenças, financiamento e obras.

Menos “vai nascer” e mais “começou”. Menos perfume de campanha e mais concretização. Guardem os discursos para o dia das inaugurações verdadeiras, não para a inauguração das intenções previstas. Porque anunciar é fácil. Difícil é fazer. E Paços de Ferreira já tem quilómetros suficientes de promessas com GPS avariado.

Todos os conteúdos do Emissor são verificados e validados pelo Diretor antes da publicação. Consulte a nossa Política de IA.

spot_img
spot_img
spot_img
spot_img

Últimos Artigos

spot_img