Passou um ano de governação autárquica em Paços de Ferreira. Um ano em que se viu o executivo socialista a governar a seu bel-prazer, a cortar fitas e a alimentar a habitual cartilha populista que a maioria do concelho tão alegremente consome. Todos cumpriram o seu papel neste primeiro ano de mandato, todos, com a honrosa e confrangedora exceção do PSD pacense.
A pergunta que corre nos corredores e que qualquer munícipe atento coloca é elementar: por onde anda o PSD?
Quando a liderança anterior saiu de cena, a bitola já não estava propriamente alta. Assistia-se a uma oposição inócua, de vistas curtas e com aquele vício crónico de orbitar o poder sem nunca o ameaçar. Mas o discurso interno vendeu a ilusão de que a renovação estava a caminho: figuras novas, rostos lavados, gente muitíssimo bem formada, quadros letrados e prontos para devolver o partido às lides do combate político.
Pois bem, a nova liderança chegou, assentou arraiais e conseguiu uma proeza notável: tornar a inoperância do passado num padrão quase invejável.
É fascinante observar como uma formação tão cuidada no papel resulta num vazio tão absoluto na prática. Confundiu-se renovação com acomodação de gabinete. Jovens na idade, mas velhos no método, herdaram os piores tiques do sistema e aperfeiçoaram a arte da invisibilidade. Fazer oposição a sério exige trabalho de campo, capacidade de confronto, estudo de dossiês e coragem para desmontar a narrativa de quem governa. Ficar no conforto do silêncio, à espera que o desgaste do poder resolva os problemas por milagre, não é estratégia política, é pura capitulação.
O PS, perante este deserto de ideias e de oposição, limita-se a esfregar as mãos e a agradecer o brinde. Como a história autárquica já nos ensinou, quem arranca um ciclo a vencer e sem ter quem lhe aponte o dedo dificilmente perde o rumo para os 12 anos seguintes. Com esta nova liderança laranja a meter a cabeça na areia, o executivo nem precisa de transpirar para manter o domínio incontestado do concelho.
Ficar calado perante a gestão camarária não magoa quem manda, mas cobra uma fatura pesada a quem vota. E, como o povo bem sabe, não há almoços grátis: o preço desta oposição ausente, letrada no discurso, mas nula na ação, quem o vai pagar durante muito tempo é Paços de Ferreira.







