Há algum tempo escrevi sobre a febre das festas e festinhas em Paços de Ferreira. Na altura, dinheiro parecia não faltar. Era festa para aqui, evento para ali, palco acolá. Um verdadeiro “sempre a abrir”. Mas toda a festa tem um momento desagradável: quando chega a conta.
E eis que este ano a Festa dos Avós não apareceu. A Festa Branca também ficou no armário. Curiosamente, começaram a aparecer explicações que apontam para associações e juntas de freguesia. Que azar. Quando há festa, fotografias e sucesso, o Município está na primeira fila. Quando não há festa, parece que a responsabilidade descobre imediatamente o caminho para a junta ou associação mais próxima.
Há, contudo, um pequeno problema nesta história: quem atribui apoios às juntas e associações é também o Município. Portanto, sacudir a água do capote pode resultar, mas convém não esquecer quem segura a torneira. E depois temos a questão das prioridades. Para os Motorfest’s da vida houve aposta. Para as rampas e outros eventos também. Há dinheiro público colocado em iniciativas que envolvem organizações e contratações externas, enquanto quem está cá durante todo o ano parece, por vezes, ter de fazer contas à vida.
Nada contra motores. Até gosto deles. Mas talvez seja legítimo perguntar: há dinheiro para acelerar e falta para os avós dançarem?
Não sei se a Festa dos Avós e a Festa Branca não se realizaram por falta de verbas, mas ouve-se nos corredores que não é por excesso de verbas. Mas, depois de tanta festa, festival, Motorfest, rampas e eventos, perguntar se a carteira municipal começou a ficar mais leve não me parece propriamente um crime. Ou talvez exista outra explicação. Talvez algumas festas estejam simplesmente a fazer uma pausa estratégica. Um pequeno descanso.
Uma espécie de hibernação eleitoral.
Ficam guardadinhas agora e, quem sabe, regressam mais perto das eleições, maiores, melhores, com palco, luzes, música e aquele súbito entusiasmo pela população que o calendário eleitoral, por misteriosas razões científicas, costuma provocar. Seria mera coincidência, claro. Entretanto, continuo com algumas dúvidas. Onde andam os responsáveis pela cultura? Onde andam os responsáveis pelo Município? E onde andam os famosos “conselheiros dos big bosses”?
Talvez estejam numa reunião importantíssima a decidir prioridades. Ou simplesmente a olhar para o calendário. Não o das festas.
O das eleições.
Até lá, talvez seja melhor poupar algum. Porque depois de festas, festinhas, Motorfest e rampas, ainda falta dinheiro para o evento mais importante do mandato, a grande festa pré-eleitoral.







