O mercado da contratação de empreitadas de obras públicas em Portugal encerrou os primeiros nove meses de 2026 com um agravamento expressivo, registando uma redução homóloga de 29% no valor global de concursos promovidos e um recuo de 43% no montante total de contratos celebrados. O balanço consta da edição n.º 153 do Barómetro das Obras Públicas, divulgado pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas Nacional (AICCOPN), espelhando a forte desaceleração do investimento em infraestruturas no fecho do terceiro trimestre.
De acordo com a associação setorial sediada no Porto, o montante de concursos de obras públicas lançados entre janeiro e setembro fixou-se em 6.166 milhões de euros (face a 8.704 milhões no período homólogo de 2025), o que traduz uma quebra de 30% em número de procedimentos abertos (4.316 contra 6.196). No que concerne aos contratos de empreitada formalizados e inscritos no Portal BASE, o valor acumulado desceu para 3.581 milhões de euros.
A descida foi liderada pelos contratos decorrentes de concurso público, que registaram uma descida homóloga de 52% (2.591 milhões de euros face a 5.346 milhões em 2025). A AICCOPN clarifica que esta variação é influenciada pelo efeito de base da concessão da Linha de Alta Velocidade (Porto–Oiã), adjudicada em 2025 por cerca de 1,7 mil milhões de euros, mas alerta que a quebra de atividade é generalizada e continua a agravar-se. Em sentido inverso, os contratos por ajuste direto e consulta prévia subiram 32%, atingindo 713 milhões de euros.







