OpiniãoO futuro não vale a pena!

O futuro não vale a pena!

Relacionados

Próxima paragem: Eleições para o Parlamento Europeu

No próximo dia 9 de junho teremos as eleições para o Parlamento Europeu. Irão ser eleitos 24 eurodeputados por Portugal e desde já temos...

Rios abandonados, são rios poluídos

Sorte temos nós em termos tantos recursos hídricos aqui no Norte Litoral de Portugal. Por todas as terras do Porto abundam ribeiras e rios,...

Saber para quê?

Fechar ou abrir a porta da sala de aula já não é ouvir com olhos de lince o que o professor explica, é, neste...

No passado dia 16 de Fevereiro, o PSD de Paços de Ferreira promoveu uma conferência com o tema “Desenvolvimento Económico, Captação e Fixação de Valor”.

Neste evento, tivemos a honra de ter presentes dois autarcas sociais democratas que são dois grandes exemplos no trabalho pela promoção do desenvolvimento económico nos seus concelhos: Emídio Sousa, Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, e Paulo Fernandes, Presidente da Câmara do Fundão.

Foram dois testemunhos fantásticos do que é ter visão e estratégia para os seus concelhos e do que essa capacidade de visão e estratégia traz de benefícios para os territórios e para as suas populações.

Apesar de ambos os testemunhos terem sido muito ricos, tenho que confessar que o exemplo de Paulo Fernandes, do Fundão, me tocou especialmente.

Paulo Fernandes assumiu a Câmara Municipal em 2013, em plena crise. Como tantas outras, a autarquia do Fundão tinha problemas financeiros. Socialmente, tinha uma das taxas de desemprego mais altas do país. E, como se não bastasse, é um concelho do interior profundo, na altura sobretudo rural e agrícola, que parecia votado à desertificação e a uma morte lenta.

Mas a visão de um homem e da sua equipa alterou aquele que parecia um futuro inevitável, nada risonho.

Paulo Fernandes fez a análise da situação económica do seu concelho, identificou o que precisava ser alterado, definiu o que pretendia para o futuro do seu concelho e definiu uma estratégia para o alcançar.

Não definiu objectivos simples. Não se ficou pelo óbvio. Percebeu que num concelho do interior profundo só ultrapassaria a desertificação e conseguiria um verdadeiro impulso económico apostando alto e forte. E foi o que fez.

Hoje, o Fundão é um paraíso para empresas e profissionais nas novas tecnologias e tem habitantes de várias dezenas de nacionalidades.

No entanto, o Fundão não esquece a sua identidade. E, por isso, a autarquia lançou nas escolas o programa “Raízes e Asas”. Os jovens do Fundão aprendem, desde os 6 anos, a programar, para que o seu concelho continue a ser uma espécie de “incubadora” de talento relacionado com as novas tecnologias. Mas também aprendem a fazer queijo e conhecem o cultivo da cereja. Porque, para que o Fundão se torne distintivo e atraia valor acrescentado, é necessário aliar “a nossa marca”, como é o caso da cereja, com o que o futuro nos exige.

Paulo Fernandes conseguiu atrair aqueles que nós hoje chamamos os nómadas digitais ainda antes de sequer se usar essa expressão. Mas não se limitou a isso: foi conhecer os locais no mundo onde se produzia a melhor cereja, determinou requisitos mínimos para que um produtor possa usar a marca “Cereja do Fundão” e até foi saber como se consegue exportar para grandes distâncias cereja embalada em vácuo.

Ao ouvir Paulo Fernandes percebi o quanto o nosso concelho corre o risco de ficar para trás neste mundo tão competitivo.

Percebi que temos que valorizar o que nos distingue e aquilo em que somos bons – como o mobiliário e o têxtil -, porque estas duas áreas abrem-nos portas, permitem apresentar um concelho dinâmico, com mão-de-obra de qualidade, que se adapta às evoluções, com empresas que sabem ser resilientes e que podem ser parceiros económicos de muito valor.

Mas também percebi que temos que perceber os desafios que o futuro nos trás e arriscar naquilo que nos vai trazer valor acrescentado, o que nos vai distinguir dos outros no futuro. Não podemos ficar no óbvio e no confortável. Temos que definir objectivos concretos para o nosso futuro, mas defini-los “altos” e exigentes.

Infelizmente, Paços de Ferreira não está a fazer nem uma coisa nem outra.

Este Executivo deixou de investir na marca Capital do Móvel. Se formos analisar, por exemplo, as publicações do Facebook da Câmara Municipal, só recentemente, já depois desta Conferência do PSD, é que a expressão “Capital do Móvel” volta a aparecer.

Depois, o Executivo parece esquecer claramente o futuro. Enche-se a boca para falar do Plano Económico Estratégico. Mas este plano é apenas para o mobiliário e o têxtil. Como se a economia do nosso concelho fosse feita só destas duas áreas e como se o futuro não nos exigisse uma diversificação que tenha em conta as novas tecnologias e as tecnologias de ponta, os nómadas digitais, os novos processos de produção, a descabornização e mais uma série de coisas que eu, que não sou de economia, não sei mas imagino que uma séria de outros autarcas, com visão, já estejam a ponderar.

O PSD já sugeriu, no exercício do Direito de Oposição, que fosse feito um Censos ao tecido empresarial, para podermos avaliar de forma profunda o nosso tecido empresarial e económico e, a partir daí, perceber as nossas fraquezas e as nossas riquezas, definir objectivos e estratégias para os alcançar. Este Executivo fez “orelhas mocas”.

Aliás, estamos no Ano Municipal da Economia e este Executivo tem-se limitado a visitar as nossas empresas. Ainda não vimos uma única iniciativa relacionada com este Ano Municipal que convide à discussão sobre o futuro económico do nosso concelho, que analise a forma de combater a falta de mão-de-obra, que reflita a forma de tornar as nossas empresas, sobretudo as têxteis, mais resilientes em épocas de crise económica. Não vimos uma única iniciativa que questione a diversificação do tecido empresarial, o investimento das empresas em profissionais altamente qualificados ou a necessidade de investimento na mão-de-obra existente.

Paços de Ferreira está no litoral, a 30 kms do Porto e na confluência de várias redes viárias. Estamos perto de Braga, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Porto, Santa Maria da Feira, Ovar, Aveiro, entre outras cidades. Estamos perto da Universidade do Minho, da Universidade do Porto e até da Universidade de Aveiro. Temos o mobiliário, o têxtil, mas temos também a metalomecânica e estamos perto o suficiente de outras zonas industriais para atrair outras indústrias. Estamos perto o suficiente daquelas e de outras cidades para atrair nómadas digitais e profissionais altamente qualificados que podem fazer a diferença numa organização.

Mas, pelos vistos, nada disso vale a pena. O futuro não vale a pena.

Joana Torres de Araújo

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -spot_img

Últimos Artigos

- Publicidade -